Home Política Agora na Record, Haddad e Bolsonaro voltam a ser alvos de adversários em debate
Eleições 2018

Agora na Record, Haddad e Bolsonaro voltam a ser alvos de adversários em debate

Em novo debate de presidenciáveis, na noite de domingo, candidatos tentam conquistar uma vaga no segundo turno e convencer eleitores a não votar nos dois favoritos nas pesquisas
Publicado por Redação RBA
08:11
Compartilhar:   
Reprodução
Debate Record

Apesar de alfinetadas, Haddad e Ciro Gomes manifestaram posições de convergência no debate

São Paulo – No debate da TV Record entre candidatos à Presidência da República, na noite deste domingo (30), os líderes das pesquisas, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) voltaram a ser os alvos preferenciais dos adversários. Primeiro a ser questionado, o petista atacou a Emenda Constitucional 95, conhecida como “PEC do teto dos gastos”, e disse que é preciso revogar a medida para retomar obras de infraestrutura paradas, “importantes, porque geram emprego”, destacando programas como Minha Casa Minha Vida. “Pretendemos substituir o teto de gastos, aprovado com apoio do PSDB”, afirmou.

Bolsonaro não participou do debate por recomendação médica, segundo nota da produção do programa. Mas Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) afirmaram que o candidato hoje mundialmente conhecido como #Elenão teve alta médica e que poderia ter participado do debate. As manifestações dos candidatos sobre as mobilizações das mulheres contra Bolsonaro foram generalizadas.  

Guilherme Boulos (Psol) e Ciro Gomes (PDT) deram alfinetadas no candidato do PT, mas ressaltaram pontos comuns com o programa de governo de Haddad. “Sempre lhe admirei e expressei um bem-querer que não quero mudar”, disse Ciro ao ex-ministro da Educação. “Não duvido que você tenha essa prioridade”, afirmou ainda, sobre as medidas adotadas por Haddad quando ministro da Educação, como a criação do Fundeb.

Boulos destacou “os pontos de convergência” entre ele e o petista, mas criticou a política de alianças do PT com o PMDB no Nordeste, como com o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). “Um dos maiores erros do PT foi ter governado com o PMDB.”  

Haddad também afirmou os pontos em comum com Boulos. “Somos defensores da paz, dos direitos civis e direitos trabalhistas. Tenho coligação com PCdoB e Pros, são esses partidos que estão conosco nesse momento”, respondeu. “O Brasil vai contar com as forças democráticas para remover o entulho aprovado pelo PMDB e PSDB”, disse, sobre a reforma trabalhista de Michel Temer e a Emenda Constitucional 95. “Hoje todo mundo é pai do Bolsa Família, mas foi o presidente Lula que resolveu acabar com a fome.”

Quando pôde, o petista investiu na herança de Lula e a posição democrática na qual se formou. “Vejo o futuro de brasileiros e brasileiras com espírito desarmado, mas alimentados e com educação. Com carteira de trabalho e um livro na mão. E não com armas.”

Ao mesmo tempo em que atacou Bolsonaro, Henrique Meirelles (MDB) defendeu o Bolsa Família. “Bolsonaro não gosta do Bolsa Família e não aprecia que a lei seja cumprida e que as mulheres ganhem o mesmo que o homem”, disse. “Ele  quer acabar com o 13°.” O ex-ministro da Fazenda declarou que pretende “aumentar o Bolsa Família”. Marina também garantiu que manterá o Bolsa Família.

Sempre incisivo, Boulos lembrou que o “desgoverno de Michel Temer nasceu de um golpe” e que o debate tinha a presença de vários candidatos que “ajudaram o golpe e a aprovar a agenda” de desconstrução de direitos trabalhistas e civis. Citando a Emenda do Teto dos Gastos e a reforma do ensino médio, entre outras, o candidato do Psol disse que os progressistas têm que ter coragem de revogá-las. “E quem se eleja se comprometa a não fazer reforma da Previdência.”

A participação de Marina Silva foi pontuada por ataques a Bolsonaro e ao PT. Segundo ela, o candidato do PSL é “antidemocrático, autoritário, desrespeita os índios, as mulheres e os negros”.  “Bolsonaro fala muito grosso mas tem momentos em que ele amarela.” Para a candidata da Rede, mostra disso foram as falas do candidato nos últimos dias. Ele disse que não aceitaria a derrota e depois recuou, afirmando que “não tem nada para fazer” se perder a eleição. “Isso são palavras de quem está com medo da derrota, que será dada a ele pelo povo.”

Marina repetiu em suas falas que o “o Brasil não precisa ficar entre a espada da corrupção (em referência ao PT) e a cruz do autoritarismo” (em alusão a Bolsonaro). Para ela, o candidato do PSL está sendo desconstruído pelos seus próprios atos. Se o Bolsonaro quer distribuir armas para combater a violência, o PT “quer controlar a imprensa e o Judiciário”, disse. “Isso é igualmente um risco para a democracia.”

Geraldo Alckmin (PSDB) insistiu em dois pontos principais, que resumiu em sua fala final, dirigida ao telespectador: “Esta semana é a decisiva. As grandes viradas ocorrem no final. Nem o radicalismo do Bolsonaro, nem o do PT. Eles não.” O tucano defendeu medidas liberalizantes na economia. Depois de dizer que sua primeira medida será aumentar a oferta de crédito, prometeu acabar com a obrigatoriedade de os bancos estrangeiros precisarem de autorização para se instalar no Brasil.

Quando resolveu alfinetar Ciro, Alckmin levou um troco bem-humorado. Depois de dizer que não vai aumentar a carga tributária, o tucano informou que o pedetista ia criar a CPMF e depois recuou. “O governador (de São Paulo) resolveu ser mau. A CPMF nunca esteve na minha proposta”, retrucou Ciro.

O pedetista se pediu voto diretamente aos eleitores que não decidiram o voto ou que podem mudá-lo, incluindo os que não querem votar no PT ou em Bolsonaro. 

Como tem afirmado, Boulos destacou ao eleitor que o primeiro turno “é momento de votar em que você acredita”. Ele foi o único entre os participantes que pediu votos para os candidatos do partido aos parlamentos.

Álvaro Dias (Podemos) falou o tempo todo em corrupção, em “refundar” a República e mudar o “sistema de governança”.

Cabo Daciolo (Patriota) continuou com suas louvações a Jesus Cristo e atacou diretamente a Haddad e o MDB que responsabilizou pela crise do país.