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crise instalada

Câmara do Rio discute impeachment de Crivella por favorecimento a evangélicos

Ontem (11), manifestantes realizaram um ato no centro da capital para protestar contra o prefeito do Rio de Janeiro que, em reunião na sede do governo, prometeu vantagens em serviços públicos a pastores e fiéis
por Redação RBA publicado 12/07/2018 10h59, última modificação 12/07/2018 11h02
Ontem (11), manifestantes realizaram um ato no centro da capital para protestar contra o prefeito do Rio de Janeiro que, em reunião na sede do governo, prometeu vantagens em serviços públicos a pastores e fiéis
JUNTOS-RJ
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Em áudio, prefeito garantiu vantagens em pagamento de IPTU e agilidade aos fiéis da igreja para cirurgias de catarata

São Paulo – A Câmara Municipal do Rio de Janeiro discute nesta quinta-feira (12), os dois pedidos de impeachment protocolados na Casa contra o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). Ontem (11), manifestantes realizaram um ato no centro da capital para protestar contra Crivella.

A indignação popular e os pedidos de impeachment contra o prefeito surgiram após vazarem notícias e imagens de uma reunião com pastores evangélicos no Palácio da Cidade, sede do governo municipal, na qual o prefeito garantiu vantagens no IPTU e no transporte urbano, além de agilidade aos fiéis das igrejas para cirurgias de catarata.

Os manifestantes batizaram o ato como "Vamos falar com a Márcia?", nome da assessora do prefeito citada nas conversas gravadas. Em áudio obtido pelo jornal O Globo, Crivella diz, sobre o agendamento de cirurgias para seguidores das seitas representadas no encontro: "Então, se os irmãos tiverem alguém na igreja ou conhecerem alguém, por favor, falem com a Márcia. É só conversar com a Márcia, que ela vai anotar, vai encaminhar e, daqui uma semana ou duas, eles estão operando", prometeu o prefeito.

Isabel Gomide, do Movimento Reage Artista, diz que as conversas mostram que prefeito não cuida da população e dos dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS). "O dia que eu precisar fazer uma operação de catarata, espero que a fila seja respeitada e todas as pessoas da cidade sejam cuidadas pelo prefeito, porque ele está cuidando só dos seus", critica.

Durante o ato, um grupo conseguiu subir até os gabinetes da Casa Civil e da Saúde para cobrar respostas e relatam agressão por parte da guarda municipal. "Quando voltamos para a Secretaria de Saúde para saber se a gente encontrava os nomes citados pelo prefeito e cobrar uma explicação plausível para toda a população, fui agredida", relata a servidora pública Tatianny Araújo

Para Lúcia Pádua, que espera por uma cirurgia de catarata há dois anos, a atitude do prefeito causa revolta. "Estou muito indignada, porque assim como eu, milhares de pessoas estão aguardando na fila, sem nenhuma perspectiva dessa cirurgia acontecer. Aí vem o Crivella dizendo que é só procurar a Márcia?", lamenta. 

A Câmara Municipal convocou, ainda ontem, uma sessão extraordinária para analisar a admissibilidade do pedido de afastamento do prefeito Crivella, por suspeita de improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Os vereadores da oposição conseguiram 17 assinaturas de parlamentares para interromper o recesso de julho e levar o debate à Casa. 

Caso dois terços dos vereadores da Câmara carioca votem pela admissibilidade do processo, ou seja, 34 vereadores, o caso terá andamento, e Crivella será afastado do cargo. O julgamento deve ser concluído em até 90 dias, contados a partir da notificação do acusado.

Assista à reportagem de Viviane Nascimento, do Seu Jornal, da TVT