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Perserguição

Lula diz que será preso político se decisão da Justiça não for revista

Ex-presidente terá habeas corpus julgado pelo STJ nesta terça-feira (6). Ele diz esperar que ministros "leiam o processo" e deixem que o "povo o julgue em outubro"
por Redação RBA publicado 06/03/2018 11h52, última modificação 06/03/2018 11h56
Ex-presidente terá habeas corpus julgado pelo STJ nesta terça-feira (6). Ele diz esperar que ministros "leiam o processo" e deixem que o "povo o julgue em outubro"
Ricardo Stuckert
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Lula disse que os processos na Justiça têm o apoio de seus adversários, que querem que ele fique fora da disputa

São Paulo – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) irá julgar nesta terça-feira (6) o habeas corpus preventivo pedido pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, caso as instâncias superiores não o absolvam, efetivarão a primeira prisão política no período democrático do Brasil. "Se não provarem um real na minha conta, terei que me considerar assim", afirmou em entrevista à Rádio Metrópole de Salvador.

Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em janeiro. A defesa de Lula recorreu com embargos declaratórios. Ele disse esperar que os ministros do STJ "leiam o processo". "Espero que as pessoas leiam o processo, leiam a defesa e deixem que o povo me julgue em outubro (nas eleições)", disse.

A defesa do ex-presidente afirmou ontem (5) em nota que a manifestação do Ministério Público Federal perante o TRF4 a respeito dos embargos de declaração apresentados após a condenação "não conseguiu rebater as inúmeras omissões e contradições demonstradas no recurso, que devem ser corrigidas, com a consequente absolvição de Lula ou a declaração da nulidade de todo o processo".

O advogado Cristiano Zanin Martins avalia que o MPF tenta ainda corrigir, extemporaneamente, depois de passados os procedimentos de acusação e julgamento e na primeira na segunda instância, uma ilegalidade cometida pelos desembargadores. Zanin Martins se refere ao fato de os juízes terem determinado, sem pedido dos procuradores, a antecipação do cumprimento da pena. "Quando o juiz Sérgio Moro permitiu que o ex-presidente pudesse recorrer em liberdade não houve recurso do MPF", observou.

Na entrevista de hoje, Lula falou reiterou que considera seu processo uma farsa, envolvida por mentiras "contadas pela imprensa, Polícia Federal e pelo juiz Sérgio Moro". "Eles foram na casa do Geddel (Vieira Lima) e acharam malas com dinheiro, foram na casa do Sérgio Cabral e acharam dinheiro e joias, mas foram na minha e não encontraram nada", disse. "Entraram na minha casa e pegaram tudo. E, de repente, o Marcelo Odebrecht, que ficou três anos preso, encontra um computador com e-mails que eles não tinham encontrado antes? Tem coisa estranha ai, não?", questionou.

Ao comentar eleições presidenciais, Lula disse que os processos na Justiça têm o apoio de seus adversários, que querem que ele fique fora da disputa. "Eles estão numa situação complicada, porque não têm um candidato com credibilidade. O Temer tem 93% de rejeição e o Alckmin não cresce nas pesquisas. Mas é unanimidade entre eles é tentar evitar que eu seja candidato porque posso ganhar no primeiro e segundo turno. Eles não sabem falar com o povo porque só falam em cortes, prejudicando o trabalhador", criticou.

Ainda na entrevista, o ex-presidente lamentou o ódio impregnado contra o PT e sua candidatura. "Eu quero ganhar as eleições para restabelecer a paz no país, independente do partido. Nós temos que aprender a conviver democraticamente na diversidade", acrescentou.

Assista à entrevista: