Voto direto

Movimentos defendem Diretas Já para pôr fim à crise e preservar direitos

Frente Brasil Popular, intelectuais, sindicatos e movimentos sociais afirmam que só eleições diretas podem combater a retirada de direitos promovida pelo governo Temer, que só tem agravado a crise

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“Se esse governo permanece até 2018, com essa política, vai ser um desastre que as próximas gerações vão pagar”

São Paulo – Após 32 anos do fim da ditadura e da retomada da democracia, no Brasil, a bandeira das Diretas Já volta a ser hasteada por movimentos populares e sindicais. Hoje o desafio é enfrentar a ameaça de retirada de direitos sociais e trabalhistas por parte do governo Temer. 

Segundo a Frente Brasil Popular, só as eleições diretas, com a valorização do voto popular, pode pôr fim à crise institucional, política e econômica instalada em sete meses da gestão Temer. “Não dá para pensar sequer em resolver a crise econômica sem antes resolver a crise política. O Brasil está sendo presidido por um governo ilegítimo”, afirma Raimundo Bomfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP) e integrante da coordenação da Frente Brasil Popular, em entrevista ao repórter Paulo Castilho, para o Seu Jornal, da TVT.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos, entende que o país não pode esperar até 2018 para ter um governo legítimo. Ele afirma que se novas eleições não forem realizadas logo, haverá ainda mais prejuízos para o Brasil.

“Esse governo não tem condições de continuar governando o Brasil. Se esse governo permanece até 2018 com essa política, vai ser um desastre que as próximas gerações vão pagar. Já está sendo um desastre”, diz Boulos. 

Na avaliação de Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), realizar novas eleições é a única maneira de evitar o desmonte do Estado e a perda de direitos sociais e trabalhistas conquistados nas últimas décadas.

“Quando você tira uma presidente com um impeachment sem crime de responsabilidade, é um golpe. Depois que você deslegitimou o poder principal, todo o resto parece que vira uma briga, uma guerra, para ver quem assume de fato o protagonismo”, afirma Maringoni.

Ele acredita que a deterioração das condições econômicas, em especial o desemprego, somadas às sucessivas iniciativas do governo Temer de retirada de direitos, como os projetos de reforma trabalhista e da Previdência, deve servir para mobilizar a população. “Essas questões, que tocam direto na pele das pessoas, são mais sensíveis e efetivas”, conclui o professor.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) também apoia as novas Diretas Já para restabelecer a democracia no país. “Para nós, é necessário que o povo possa opinar sobre quais rumos o nosso país precisa ter”, afirma Rarikan Reven, diretor jurídico da entidade. Segundo ele, propostas impopulares de Temer, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, que congela os gastos do governo por 20 anos, não teriam condições de serem apresentadas durante uma eleição.