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Obama aponta Brasil como líder mundial e cita erradicação da miséria

Em encontro entre Dilma e o presidente norte-americano, ela disse que o episódio envolvendo espionagem dos americanos ao governo brasileiro está superado, e que os países vivem uma condição diferente agora

Roberto Stuckert Filho/PR
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Dilma mencionou semelhanças entre os países, e disse que assim como os EUA, o Brasil também vai superar a crise

Brasília – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que encara o Brasil como um líder mundial, não apenas regional, e que as negociações globais sobre questões relevantes como economia, clima e combate ao terrorismo. Ao fazer um pronunciamento à imprensa ao lado da presidenta Dilma Rousseff, Obama afirmou que possui “plena confiança” e que tem tido um “excelente relacionamento” desde que ela tomou posse.

Após anunciarem o acordo bilateral entre Estados Unidos e Brasil em que se comprometem com maior participação de fontes renováveis em suas matrizes energéticas, os dois presidentes respondiam a perguntas de jornalistas, quando a questão foi dirigida à presidenta. A dúvida era como conciliar as visões de que o Brasil se vê como líder mundial, enquanto os EUA veem o país como um cenário regional. Na sua vez de responder, Obama fez questão de mencionar o assunto, dizendo que o Brasil é uma “potência mundial importante”.

“Nós encaramos Brasil como um poder mundial, não regional. Em termos de fórum econômico para coordenar relações e negociações, como o G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), por exemplo, o Brasil tem uma voz muito forte. A questão da mudança do clima só pode ser bem-sucedida se o Brasil liderar. Isso é indicação da liderança mundial do Brasil”, adiantou-se o presidente norte-americano.

Em sua vez, Dilma Rousseff voltou a mencionar as semelhanças entre os dois países, e disse que assim como os EUA superaram a crise econômica iniciada em 2008 e 2009, o Brasil também vai “superar os efeitos que recaem agora sobre ele”.

De acordo com Obama, os EUA precisam de parceiros se quiserem sucesso também em questões como erradicação da miséria, luta contra pobreza extrema do mundo, e o Brasil é um deles. “Como eu disse ontem à Dilma, os Estados Unidos, por mais poderosos que sejam, interessados como somos em resolver uma gama enorme de questões mundiais, não podemos fazer isso sozinhos.”

A presidenta também respondeu a pergunta sobre o aparato de segurança, a ser montado pelo Brasil, nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Ela disse ter certeza de que o país terá todas as condições de garantir segurança nos jogos, a exemplo do que ocorreu na Copa do Mundo em 2014. “Nós levamos muito a sério a questão da segurança em grandes eventos. Temos experiência nessa área. No ano passado organizamos a Copa não apenas em uma cidade. Criando sistema efetivo de controle através dos centros operação de monitoramento controle, tanto o deslocamento de esportistas quanto de autoridades, acompanhamos todos asseguramos toda segurança.”

Ao mencionar o cancelamento da viagem que faz nesta semana, e que estava marcada para 2013, quando vieram à tona denúncias de espionagem de cidadãos e autoridades brasileiras pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), Dilma disse que “de lá pra cá algumas coisas mudaram”. “O fato de que Obama e os Estados Unidos terem declarado em outras oportunidades que não haveria mais atos que seriam de intrusão em países amigos. Acredito em Obama, e ele me disse que se fosse o caso de ele precisar de alguma informação não pública sobre o Brasil, ele me telefonaria. Tenho certeza que as condições passaram a ser bastante diferentes agora”, declarou.

Acordos bilaterais

Dilma e Obama anunciaram a inclusão de cidadãos brasileiros no programa Global Entry, que facilita a entrada de quem viaja com frequência aos Estados Unidos. O anúncio foi feito durante declaração conjunta à imprensa, após reunião de trabalho entre os dois presidentes.

No Global Entry, o viajante não precisa passar pelas filas de imigração, apenas passa o passaporte em leitor eletrônico ao desembarcar nos EUA. A medida deverá beneficiar viajantes frequentes, sem validade para turistas eventuais.

A presidenta brasileira disse que a recuperação da economia dos Estados Unidos é importante para as economias do Brasil e do mundo e quer aproveitar o cenário para ampliar o fluxo de comércio e investimentos entre os dois países.

“Queremos ampliar e diversificar nossas trocas, nosso desafio é dobrar a corrente de comércio em uma década. O objetivo é construir condições para um relacionamento comercial ambicioso entre o Brasil e os Estados Unidos. Para isso, no curto prazo, devemos remover os obstáculos não-tarifários existentes para bens industriais e agrícolas, devemos reduzir a burocracia, as complicadas autorizações e outras restrições, ao mesmo tempo em que gostaríamos que fosse reconhecida a qualidade dos processos produtivos do Brasil”, listou.

Dilma destacou a nova etapa do programa de concessões e disse que espera participação de investidores norte-americanos nas licitações de obras de infraestrutura do Brasil incluídas no pacote.

Obama e Dilma também assinaram um compromisso para ampliar a participação de energia renovável na matriz energética dos dois países até 2030, para contribuir com a redução das emissões de gases de efeito estufa, que agravam as mudanças climáticas.

“Essa decisão tem muito a ver com perspectivas e nossa participação em um acordo global de redução de emissões, para que a gente consiga de fato concretizar esse acordo na Conferência do Clima em Paris [em dezembro deste ano]”, avaliou Dilma.

A presidenta acrescentou os esforços do Brasil para reduzir o desmatamento e disse que a meta é zerar a derrubada ilegal no país até 2030. “Também queremos virar a página e passar a ter uma política clara de reflorestamento. É importantíssimo para o Brasil, tem a ver com compromisso próprio que assumimos no Código Florestal”, acrescentou.

Cuba

Dilma e Obama também comentaram a reaproximação entre os Estados Unidos e Cuba. Obama agradeceu o apoio de Dilma e do Brasil no processo e nas negociações para a abertura de embaixadas em Havana e Washington.

Segundo Dilma, a retomada de relações entre os Estados Unidos e Cuba marca “o fim da Guerra Fria” e um novo patamar de relacionamento dos norte-americanos com toda a América Latina.

Dilma reiterou o convite para que Obama venha ao Brasil em 2016 para os Jogos Olímpicos do Rio. O norte-americano agradeceu o convite e brincou que, caso venha ao Rio, não poderá usar em público uma camiseta do Brasil, presente de Dilma, para não entrar em conflito com seus compatriotas.

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