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Em último ato de Haddad, Serra é acusado de 'sabotagem' e de 'prática sorrateira'

No evento realizado com artistas, educadores e intelectuais na Casa de Portugal, petista diz que São Paulo precisa voltar a ser vanguarda e que dia 28 será "o dia da libertação" da cidade
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 26/10/2012 02h41, última modificação 26/10/2012 08h32
No evento realizado com artistas, educadores e intelectuais na Casa de Portugal, petista diz que São Paulo precisa voltar a ser vanguarda e que dia 28 será "o dia da libertação" da cidade

Haddad discursa para artistas, intelectuais e militantes na Casa de Portugual (Foto: Paulo Pinto/Campanha Haddad)

São Paulo – O último ato público da campanha de Fernando Haddad (PT) na disputa pela prefeitura de São Paulo na eleição de 2012 reuniu grande público na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade (região central), na noite desta quinta-feira (25).

O evento, dedicado às comunidades da cultura e da educação, contou com a participação de lideranças sindicais e estudantis, artistas de vários segmentos, cantores, membros de escolas de samba, professores e intelectuais, além da militância do Partido dos Trabalhadores. Nos discursos, o destaque foi para a necessidade, segundo as lideranças e o próprio Haddad, de não “usar sapato alto” e manter a campanha ativa e a militância mobilizada até domingo. 

“Nós não podemos baixar a guarda. O jogo termina no domingo. Dois dias pode parecer pouco. Mas dois dias de uma eleição no Brasil é uma eternidade”, disse Fernando Haddad. Segundo ele, a disputa com o candidato José Serra (PSDB) “não é o jogo leal e honesto da apresentação de propostas, da comparação de modelos e modos de governar. É a prática sorrateira, o rumor e o boato ”. 

O candidato petista mencionou como exemplo do estilo de seu adversário as notícias e informações disseminadas nesta quinta-feira. “De jornal, de panfleto, de telemarketing, nos acusando de coisas que nem o diabo imagina”, acusou. Haddad falou que o momento de sua campanha “agora é para desfazer as inverdades que ele [Serra] cria a nosso respeito”, e pediu para a militância conversar “com quem está indeciso, desinformado”. 

Em seu discurso, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse ter circulado um boato nos últimos dias dando conta de que o Enem teria sido cancelado. Ele afirmou que o exame, marcado para os dias 3 e 4 de novembro, vai acontecer “normalmente, com tranquilidade”. “Por que eles combatem tanto o Enem? O que resta a eles [aliados de Serra] é a sabotagem”, acusou. O evento realizado na Casa de Portugal, de acordo com a visão de Mercadante, “é último ato da campanha, mas está com cara de começo de governo”. No entanto, como Haddad, alertou: “é preciso não usar sapato alto, é preciso trabalhar até a eleição”. 

“São Paulo sempre foi vanguarda”

Haddad comentou a gestão da Cultura na administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD). “Com a cultura ele foi cruel. Não deixou vicejar nada, brotar nada na cidade de São Paulo, a ponto de proibir sarau na periferia”, criticou. O candidato do PT falou que, se ganhar a eleição, pretende fazer com que São Paulo volte a ser “protagonista” no país e se sintonizar com o governo Dilma Rousseff. 

“São Paulo sempre foi vanguarda nas políticas públicas, na cultura, no esporte, e agora nós olhamos para as outras cidades enquanto temos aqui essa situação triste”, afirmou o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto no segundo turno. 

Diante de um público que o interrompeu várias vezes para aplaudir seu discurso, Haddad terminou afirmando que sua proposta é “reconciliar a periferia com o centro, mas sobretudo reconciliar essa cidade com o que está acontecendo no Brasil. É isso que nós precisamos fazer: redimir, libertar São Paulo. E o dia da libertação de São Paulo está com data marcada. É 28 de outubro”.

O cantor e compositor Alceu Valença foi um dos artistas que usaram o microfone para discursar: “Haddad é com certeza uma nova liderança que surge no cenário nacional e isso é muito bom para o Brasil”, declarou.

Pro-Uni

Uma jovem apresentada no palco como Vanessa, estudante universitária e bolsista do Pro-Uni, programa do governo federal para jovens de baixa renda, fez um discurso emocionado: “Estou aqui para representar a nova juventude que até há pouco tempo não tinha esperança de escolher o que quer para sua vida. Defendo a candidatura daquele que mudou a minha vida e da minha família. Nós temos direito de sonhar”, disse a estudante.

A produção do ato na Casa de Portugal divulgou um documento assinado por inúmeros intelectuais e artistas em apoio à candidatura de Fernando Haddad, como André Singer, Alfredo Bosi, Dalmo Dallari, Fernando Morais, Gilberto Gil, José Celso Martinez Correa, Laymert Garcia dos Santos, Mano Brown, Stella Senra, Maria da Conceição Tavares, entre muitos outros.

Alguns pequenos apupos se fizeram ouvir durante o longo discurso lido pela cineasta Tata Amaral, que foi recebido com alguns murmúrios de reclamação entre o público. Nele, a diretora parece não ter prestado atenção à ênfase dada pelas lideranças ao fato de que a eleição ainda não se resolveu. Ela pediu recursos para a produção de cinema e também a nomeação de um secretário de cultura “sensível e um excelente gestor”.