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Investimento em educação é fundamental para nova classe média, aponta pesquisa

Índices educacionais da classe média avançaram, mas seguem distantes dos da classe alta
por Redação da Rede Brasil Atual publicado 08/08/2011 10h41, última modificação 08/08/2011 12h23
Índices educacionais da classe média avançaram, mas seguem distantes dos da classe alta

O secretário de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco: é preciso compatibilizar crescimento com distribuição de renda (Foto: Wilson Dias/ABr)

São Paulo – Embora os índices educacionais da classe média tenham avançado bastante, eles seguem distantes dos da classe alta. Enquanto 87% dos brasileiros mais ricos possuem o ensino médio, apenas 59% da classe média chegam a concluí-lo. Os dados são da pesquisa A Classe Média em Números,divulgada nesta segunda-feira (8) pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, com base na última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, de 2009.

As estatísticas educacionais revelam ainda que o quadro pode estar mudando, pelo menos na infância: 99% das crianças e adolescentes (7 a 14 anos) da classe média frequentam a escola, numa proporção igual à da classe alta. No entanto, essa frequência diminui nas demais faixas etárias: 95% dos jovens de 15 a 17 anos e 54% dos adultos de 18 a 24 anos frequentam escola nas classes mais elevadas, enquanto na classe em ascensão os percentuais caem para 87% e 28%, respectivamente.

De acordo com o secretário de Ações Estratégicas da SAE, Ricardo Paes de Barros, "o acesso à educação é a grande diferença entre as classes média e alta". Para ele, a pesquisa mostra que a classe média dá crescente importância à educação. Porém, para reduzir a distância que a separa da classe alta, diz ser necessário dar maior ênfase à qualidade do ensino médio público e ampliar o acesso da classe média às universidades e ao ensino técnico.

Segundo os dados, a nova classe média é principalmente urbana (89%) e, em sua maioria, está em três regiões brasileiras: Sul (61%), Sudeste (59%) e Centro-Oeste (56%). O percentual da população nesse estrato social é maior em cidades de pequeno porte (45%), com menos de 100 mil habitantes, do que em regiões metropolitanas (32%) e em cidades de médio porte (23%). Formada por 95 milhões de pessoas, 52% da população, essa classe tem a maioria feminina (51%), branca (52%) e adulta, com mais de 25 anos (63%).

O estudo foi lançado durante o o seminário A Média Faz a Diferença: Origem e Desafios Sobre a Nova Classe Média Brasileira. O ministro da SAE, Moreira Franco, abriu o evento em Brasília dizendo que o debate tem como objetivo iniciar um planejamento preventivo de políticas institucionais que garantam que essa ascensão da nova classe média seja permanente.

Mais de 31 milhões de pessoas entraram na classe C na última década. Franco defendeu que essa população precisa de uma trava para não perder poder econômico no futuro e que investimentos em educação são fundamentais nesse sentido. "A nova classe média não tem padrinho, não tem pai advogado, não tem pai jornalista, não tem pai diplomata, ela tem a sua capacidade de trabalho e estudo para ocupar um bom lugar", defendeu.

O ministro também enfatizou a importância de o governo ampliar suas metas de democratização de oportunidades. "Temos que pegar a realidade social, o ativo social, que compõe a maioria da sociedade brasileira, fruto de política econômica social, de democratização das oportunidades e afirmação de um conceito que dividiu os economistas brasileiros por muitos anos, de compatibilizar crescimento economia com distribuição de renda. Passamos anos fazendo o oposto e o resultado foi muito ruim, hoje podemos dizer que é possível crescer e distribuir". Ele lembrou que, num cenário de instabilidade econômica internacional, é necessário que a classe média, como principal força mobilizadora do mercado nacional, seja preservada e estimulada.

A abertura contou também com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que foi porta-voz da presidenta Dilma Rousseff no evento. Ela destacou os esforços preventivos do seminário em fortalecer as políticas institucionais. "É responsabilidade do Estado impedir que a realidade econômica internacional coloque em risco o projeto de desenvolvimento econômico do Brasil". Ela enfatizou os esforços no investimento em educação como única ferramenta de mobilidade social e promoção socioeconômica da nova classe média.

Seminário

O evento conta com a participação dos principais especialistas em políticas sociais do país, como Ricardo Paes de Barros, Marcelo Neri (Fundação Getulio Vargas) e Marcio Pochmann, atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esses especialistas têm sido ouvidos pela presidenta Dilma desde a preparação do governo.

Também participarão nomes do mercado financeiro (como Luiz Awazu Pereira da Silva, do Banco Central; e Marcos Lisboa, do Itaú-Unibanco); formuladores de políticas econômicas (Marcio Hollanda de Brito, do Ministério da Fazenda); pesquisadores de consumo e opinião (como Renato Meirelles, do Data Popular); professores de economia (como Eduardo Giannetti, do Instituto de Ensino e Pesquisa - Insper) e palestrantes de organizações multilaterais (como Mario Pezzini, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE).

Com informações da Agência Brasil