Cenário

Projeção da Cepal aponta mais 11,5 milhões de desempregados na região em 2020

Informe conjunto com a OIT aponta retração econômica, aumento do trabalho informal e mais pobreza

Min. Saúde Peru/Fotos Públicas
Trabalhadora peruana se recupera da Covid-19: região enfrenta desafios

São Paulo – A pandemia do coronavírus, com uma “combinação de choques externos e internos”, provocará a maior crise em décadas na região, afirma a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), em nota conjunta com a direção local da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em relação ao desemprego, por exemplo, a projeção é de que a taxa média suba 3,4 pontos percentuais, para 11,5% – seriam 11,5 milhões de desempregados a mais, somando 37,7 milhões.

O período 2014-2019 já foi o de menor crescimento desde a década de 1950, lembra o boletim Cepal-OIT. Agora, o coronavírus levará a uma crise “com efeitos muitos negativos no emprego, no combate à pobreza e à redução da desigualdade”. A estimativa da Cepal é de retração de 5,3% na economia da região neste ano.

Além do aumento do desemprego, as entidades preveem deterioração da qualidade dos postos de trabalho, isso em uma região com 54% de taxa média de informalidade. “Muitos destes trabalhadores não têm acesso a serviços de saúde de qualidade, e dadas as características de seu trabalho estão mais expostos ao contágio”, lembram as entidades. E também não têm acesso a mecanismos de proteção, como o seguro-desemprego.

Desigualdade e pobreza

“Na América Latina se estima que 42,4% do emprego se encontra em setores de alto risco e outros 16,5%, em setores de risco médio-alto”, diz a Cepal. “A probabilidade de que estes trabalhadores vejam reduzidas suas horas de trabalho, sofram cortes salariais ou percam o emprego é elevada.” Uma das recomendações das entidades é “proteger as pequenas e médias empresas e os trabalhadores informais por meio de apoio financeiro e programas de recuperação”.

Além disso, a Cepal estima um crescimento de até 4,4 pontos percentuais na taxa de pobreza e de 2,6 pontos para a pobreza extrema, em relação a 2019. Com isso, a região estaria com 214,7 milhões de pessoas consideradas pobres, 34,7% do total, e 83,4 milhões na pobreza extrema (13%). Também se prevê aumento da desigualdade em todos os países, medida pelo índice de Gini.

“Neste cenário, os processos de diálogo social que incluam governos, empregadores e trabalhadores serão essenciais para obter consensos e aprovar políticas que possam se aplicar com êxito”, afirmam a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, e o diretor regional da OIT, Vinícius Pinheiro. As partes deverão estar preparadas “para enfrentar a incerteza”.


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