Matriz e filial

Trump anuncia mais sanções ao Irã. Bolsonaro faz live para ver discurso

"O Irã parece estar recuando, o que é bom para todo o mundo", disse o presidente dos EUA, após afirmar que o ataque iraniano a bases do Iraque com tropas dos Estados Unidos "não parece ter feito vítimas"

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"Nós somos independentes e nós não precisamos do petróleo do Oriente Médio", disse Trump

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um pronunciamento no início da tarde desta quarta-feira (8) sobre a crise no Oriente Médio desencadeada pelo ataque norte-americano que matou o general iraniano Qassem Soleimaini.

“O Irã parece estar recuando, o que é bom para todo o mundo”, disse Trump, após afirmar que o ataque a bases do Iraque com tropas dos Estados Unidos “não parece ter feito vítimas”.

Ele anunciou que serão aplicadas “novas e poderosas sanções” contra o Irã, até que o país “mude as suas políticas”. “Enquanto eu for presidente dos Estados Unidos, o Irã nunca terá armas nucleares”, bradou.

O presidente estadunidense destacou que seu país tornou-se o maior produtor de óleo do mundo, devido à tecnologia de extração de petróleo de xisto. “Nós somos independentes e nós não precisamos do petróleo do Oriente Médio”.

Trump deixou ainda uma porta aberta para um novo acordo com o Irã sobre o seu programa nuclear.

Bolsonaro faz live e ataca Lula

O presidente do Brasil Jair Bolsonaro realizou uma transmissão por meio de uma rede social na qual aparecia assistindo ao pronunciamento de Trump. Após o final do discurso, ele atacou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Muitos acham que o Brasil deve se omitir no tocante aos acontecimentos. Queria dizer apenas uma coisa. O senhor Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto presidente da República, esteve no Irã. E lá defendeu que aquele regime pudesse enriquecer urânio acima de 20%, que seria para fim pacífico. Complementaria apenas com uma questão. Nós temos que seguir as nossas leis. Nós não podemos extrapolar”, disse.

Mais cedo, em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, Lula falou a respeito da tentativa de acordo costurado com o Irã. “Lembro que em 2009 fui com o (ministro das Relações Exteriores) Celso Amorim ao Irã para negociar a questão das armas nucleares e o enriquecimento de urânio. E aquilo que era impossível, dito pelo Obama, pelo (Nicolas) Sarkozy, pelo Gordon Brown, pela Angela Merkel, se tornou possível na medida em que o Brasil foi corajoso. Eu e o Celso fomos conversar com o (Mahmoud) Ahmadinejad, com o Ali Khamenei, fizemos uma parceria com o Erdogan, da Turquia, e nos dois dias em que ficamos em Teerã conseguimos um acordo, que também era do interesse dos Estados Unidos e da Europa.”

Contudo, segundo Lula, o acordo acabou não prosperou em parte por conta do incômodo causado pelo Brasil ter tido uma posição de protagonismo nas negociações. “Quando construímos o acordo em Teerã, o Obama traiu o bom senso e decidiu aumentar as punições contra o Irã para, dois anos depois, construir um acordo infinitamente pior do que o que nós fizemos.”