Após renúncia

Ala esquerda rompe com Syriza e forma novo partido na Grécia

Liderada pelo ex-ministro de Energia, Panayotis Lafazanis, legenda foi criada um dia após Alexis Tsipras renunciar

Reprodução / YT / Ekloges
Panagiotis Lafazanis

Nova lengenda, mais à esquerda, é liderada pelo ex-ministro de Energia Panagiotis Lafazanis

São Paulo – A ala mais à esquerda dentro do Syriza anunciou hoje (21) a criação de um novo partido chamado Unidade Popular, rompendo com a então legenda governista da Grécia. A formação ocorre um dia após o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, anunciar eleições antecipadas e sua renúncia ao cargo.

Com 25 deputados, a legenda será liderada pelo ex-ministro de Energia Panagiotis Lafazanis, que defende a volta do dracma como moeda nacional e saiu do governo em meados de julho, quando Tsipras remodelou seu gabinete. Além disso, Lazafanis foi um dos principais críticos às negociações entre Tsipras e os credores europeus para o terceiro programa de resgate.

O Unidade Popular deriva da corrente tida como radical do Syriza, a Plataforma de Esquerda, que nesta manhã anunciou que apresentará sua própria lista para as próximas eleições, que a imprensa grega especula que acontecerão em 20 de setembro.

“A Plataforma de Esquerda contribuirá à formação de uma frente ampla, progressista, democrática que participará das eleições para impor o cancelamento dos memorandos (com os credores)”, afirmou o grupo em comunicado.

Principal força de oposição ao governo Syriza, o presidente do partido conservador grego Nova Democracia, Vangelis Meimarakis, recebeu hoje o mandato do presidente  gregom Prokopis Pavlopoulos, para formar um Executivo, após Tsipras abrir mão de sua vez, como líder da primeira força.

Se Meimarakis não conseguir constituir um governo nas próximas 72 horas será a vez do Unidade Popular, que com seus 25 deputados passará à frente do até agora terceiro partido, o neonazista Aurora Dourada, que conta com 17 assentos no parlamento.

Novas eleições

Nesse panorama, Tsipras ainda  pode se lançar candidato novamente com o intuito de ganhar novo fôlego para governar a Grécia. Entretanto, o impasse dentro do Syriza abriu uma brecha para a criação do Unidade Popular, que já representa quase 30% dos membros do Syriza.

Em pronunciamento em rede nacional ontem, o premiê afirmou que o país passa por uma situação “sem precedentes”. “Em momentos difíceis, nós devemos nos ater e conquistar o que mais importa: nosso país e nossa democracia. Obrigado, Grécia”.

A decisão veio poucas horas após o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) dar sinal verde ao desembolso inicial de 23 bilhões de euros a Atenas, possibilitando o governo grego a pagar uma dívida no valor de 3,4 bilhões de euros ao Banco Central Europeu (BCE).

Com o anúncio do premiê, esta será a segunda eleição do ano para os gregos. Em 25 de janeiro, o Syriza venceu a disputa com 36% dos votos. Como a legenda ficou a apenas duas cadeiras da maioria absoluta no parlamento (149 dos 300 assentos), ela se aliou aos Gregos Independentes, legenda da direita nacionalista, para conseguir formar uma coalizão anti austeridade.