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Premiê grego concorda em renunciar e minimiza referendo

por Dina Kyriakidou e Abhijit Neogy publicado 03/11/2011 23h18, última modificação 03/11/2011 23h19


Atenas/Cannes (França) - A intensa pressão europeia forçou a Grécia a buscar consenso político sobre um novo plano de resgate, em vez de realizar um referendo, após líderes europeus levantarem a possibilidade de o país deixar a zona do euro para preservar a moeda única.

Os rápidos eventos em Atenas ofuscaram o primeiro dia de um encontro entre líderes das 20 maiores economias do mundo na Riviera Francesa, com ansiosos líderes globais exortando a Europa a agir para brecar o contágio de sua crise de dívida soberana.

O premiê grego, George Papandreou, concordou em renunciar e abrir o caminho para um governo de coalizão negociado caso os membros de seu partido Socialista o apoiem em um voto de confiança nesta sexta-feira (4), disseram fontes à Reuters.

"Foi dito a ele (Papandreou) que deve sair com calma a fim de salvar o seu partido", disse uma fonte à Reuters, sob condição de anonimato. "Ele concordou em renunciar. Foi muito civilizado, sem aspereza."

Papandreou, filho e neto de premiês esquerdistas, afirmou estar pronto para renunciar em prol da unidade nacional, dizendo a parlamentares que não está preso a seu cargo.

O encontro entre líderes do G20 em Cannes discutiu aumentar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e construir um muro para proteger Itália e Espanha de um possível calote grego.

Papandreou disse que seu anúncio nesta semana de um referendo, que deflagrou pânico nos mercados financeiros globais e enfureceu parceiros europeus, "nunca foi uma proposta em si mesma", e que ele ficaria feliz se a votação não fosse realizada.

O premiê grego disse a parlamentares do Pasok que chegou a um acordo em conversas com a oposição de centro-direita sobre um governo de transição para implementar um novo programa de resgate da União Europeia (UE) e do FMI e pavimentar o caminho para eleições.  

No encontro em Cannes na quarta-feira (2) à noite, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, alertaram Papandreou que Atenas não receberia um centavo a mais em ajuda até que cumprisse seus compromissos com a zona do euro.

A Grécia estava prestes a receber 8 bilhões de euros em financiamentos neste mês e diz que ficará sem dinheiro até meados de dezembro caso não tenha acesso ao empréstimo.

Apesar da turbulência em Atenas e da incerteza com a zona do euro, os mercados de ações europeus e o euro tiveram um rali na volátil sessão desta quinta-feira (3), em meio à probabilidade de a Grécia não realizar o referendo.

O Banco Central Europeu (BCE) também ofereceu um surpreendente apoio ao cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 1,25%, dizendo que sua política de comprar títulos de governos da zona do euro continuará por enquanto com tamanho limitado, a fim de dar suporte à política monetária.

Os líderes de China, Rússia e Estados Unidos pressionaram as autoridades europeias a se moverem mais rapidamente para conter a crise de dívida, com Washington instando a Alemanha a abrandar o tom e deixar o BCE desempenhar um papel maior na questão financeira, disseram fontes do G20.

"A Europa deveria ajudar a si mesma. A União Europeia tem tudo para isso hoje -autoridade política, recursos financeiros e o apoio de muitos países", afirmou o presidente russo, Dmitry Medvedev.

O premiê canadense, Stephen Harper, disse que os líderes discutiram planos de contingenciamento para caso a Grécia deixe a zona do euro, "mas a expectativa é de que cabeças mais frias prevaleçam e que o pacote seja aceito (pela Grécia)".

ITÁLIA É A PRÓXIMA

 

A Itália é o próximo país da zona do euro na linha de fogo, enfrentando dura pressão para fazer boas reformas econômicas atrasadas há muito tempo.  

Líderes europeus do G20, junto com o presidente dos EUA, Barack Obama, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, e o novo presidente do BCE, Mario Draghi, reuniram-se nos bastidores para pressionar o premiê italiano, Silvio Berlusconi, a definir um cronograma para importantes medidas trabalhistas, de previdência e privatizações, disseram fontes da UE.

Berlusconi fracassou em chegar a um acordo com seu dividido gabinete de centro-direita para reformas pouco antes de viajar a Cannes para a cúpula.

Um esboço do plano acertado pelo G20 nesta quinta-feira prevê um compromisso da Itália em reduzir seu déficit orçamentário para "perto do equilíbrio" até 2013 e rapidamente diminuir sua relação dívida/PIB, disseram fontes à Reuters.

Líderes da UE mostram preocupação de que, se a Itália não conseguir colocar as contas em ordem, poderia seguir o mesmo caminho de Grécia, Irlanda e Portugal, precisando de um resgate financeiro do bloco.

Fonte: Reuters

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