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ONU denuncia sabotagens contra eleição no Haiti

por Joseph Guyler Delva publicado , última modificação 16/11/2010 18h48 © Thomson Reuters 2010. All rights reserved.

Porto Príncipe - O chefe da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti disse, nesta terça-feira (16), que há bandidos e políticos tentando "estragar" a eleição do próximo dia 28 no Haiti, realizando ataque contra tropas internacionais e tentando gerar pânico popular devido a uma epidemia de cólera que já matou mais de mil pessoas.

Duas cidades haitianas registraram distúrbios contra as tropas da ONU na segunda-feira (15), e um manifestante foi morto por um soldado, segundo as autoridades. As forças estrangeiras e a polícia local se preparam para mais incidentes.

A capital, Porto Príncipe, permanece calma, mas a ONU enviou reforços para Cap-Haitien, no norte, segunda maior cidade do país e principal foco da atual onda de violência.

Nos ataques de segunda-feira, os soldados da ONU foram atacados com tiros e pedras por manifestantes que os acusavam de ter levado a bactéria do cólera para o Haiti, onde a doença passou mais de um século erradicada. Houve suspeitas, depois negadas pela ONU, de que soldados nepaleses teriam transportado a enfermidade.

O chefe da Minustah (missão da ONU no Haiti), Edmond Mulet, atribuiu os incidentes de Cap-Haitien e da localidade de Hinche (centro) a agitadores políticos.

"Tudo isso certamente não é espontâneo", disse ele à Reuters por email, acrescentando que os incidentes em Cap-Haitien foram "bem planejados e coordenados".

"Tradicionais estraga-prazeres, ex-FAHD (ex-membros das Forças Armadas locais), certos políticos, figuras criminosas e grupos contrários às eleições estão por trás desses incidentes. A epidemia de cólera caiu no colo deles como uma boa oportunidade para criar essa situação."

Até 14 de novembro, a epidemia iniciada há um mês já tinha feito 16.799 casos confirmados, com 1.034 mortes, segundo dados divulgados na terça-feira pelo governo.

A epidemia gera medo e ira numa população ainda traumatizada pelo terremoto de janeiro no país, que matou mais de 250 mil pessoas.

Apesar da epidemia e da inquietação social, Mulet disse que, do ponto de vista técnico, logístico e de segurança será possível realizar "eleições bem sucedidas".

"Esperávamos que esse tipo de incidente acontecesse, o que tem sido parte de processos eleitorais anteriores no Haiti. A vasta maioria dos haitianos quer eleições, apesar das ações desesperadas das forças antidemocráticas", afirmou.

A hostilidade contra os 12 mil soldados da ONU no Haiti está focada no contingente nepalês, por causa das suspeitas ligadas à epidemia. Mulet disse que não há planos de retirar ou transferir os soldados do Nepal.

"Seria muito injusto ser parte de uma campanha de estigmatização. Por outro lado, se eles não puderem operar naquela parte do país poderão ser substituídos por outro contingente", disse ele.

A eleição de 28 de novembro elegerá o sucessor do presidente René Préval, que não pode concorrer a um terceiro mandato, além de 99 deputados e 11 dos 30 senadores.

Fonte: Reuters

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