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Comando da Polícia Nacional do Equador é trocado após tentativa de golpe

por Redação da RBA publicado , última modificação 01/10/2010 13h20

São Paulo – O comandante da Polícia Nacional do Equador, general Freddy Martinez, foi demitido após os atos de insubordinação de quinta-feira (30), que resultaram em uma tentativa de golpe contra o presidente Rafael Correa.

O general Florencio Ruiz assumiu o cargo nas primeiras horas desta sexta (1º) com a incumbência de normalizar o funcionamento da instituição, que protagonizou momentos de tensão. Na manhã de quinta, 800 integrantes da Polícia Nacional fecharam o aeroporto de Quito e cercaram ruas e estradas em todo o país.

Correa, ao tentar negociar com os militares, acabou atingido e foi internado em um hospital ao lado do Quartel de Quito. Lá, ficou retido durante horas, impedido de sair pelos policiais que cercavam o edifício. A libertação só foi possível graças à ação de integrantes das Forças Armadas que foram debelar o movimento, não sem antes haver troca de tiros e confusão com a multidão que apoiava o presidente. Apesar do tiroteio, a multidão não deixou o local gritando palavras de ordem a favor da democracia. A fumaça de bombas de gás lacrimogêneo se espalhava pelas ruas próximas ao hospital.

Logo após sair, Correa fez um discurso agradecendo ao povo e aos militares que se empenharam em evitar sua queda. "Com diálogo, tudo. Sob pressão, nada. É incrível que se subleve uma parte da polícia nacional. Se sublevam para buscar supostas remunerações. Como podem brincar com alto tão sagrado como o futuro da pátria?"

Os integrantes da Polícia Nacional se manifestavam contra a Lei de Serviços Públicos, que supostamente elimina alguns benefícios. O governo acredita que há uma campanha de desinformação por parte da mídia comercial, que se esforça para exagerar os reais efeitos da lei. Ministros de Correa acusaram a participação de Lucio Gutiérrez, ex-presidente, no episódio.

Apoio externo

Assim que foram informados dos fatos, presidentes sul-americanos reagiram no sentido de condenar a tentativa de golpe. A Unasul e o Mercosul emitiram comunicados apoiando o governo democrático de Correa. A Organização dos Estados Americanos (OEA) reuniu-se em sessão extraordinária e manifestou rechaço ao movimento liderado pelos policiais.

Nesta sexta-feira, os ministros de Relações Exteriores da Unasul se reúnem em Quito para demonstrar apoio ao governo constitucional e afastar definitivamente qualquer possibilidade de golpe. Na quinta, o secretário-geral da instituição, o argentino Néstor Kirchner, expressou que tem um compromisso com Rafael Correa frente à tentativa de sublevar a ordem constitucional. “Seria um gravíssimo retrocesso para a região que voltássemos àquelas épocas em que as minorias impunham suas decisões por uso da força. O voto popular é o único caminho para a tomada de decisões em nossas sociedades”, expressou em nota.

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