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Obama recebe Prêmio Nobel da Paz e defende "guerra justa"

por Ross Colvin e Wojciech Moskwa publicado 10/12/2009 11h54, última modificação 10/12/2009 11h55 © Thomson Reuters 2009. All rights reserved.

OSLO (Reuters) - Os EUA precisam respeitar e defender padrões morais quando travam guerras que são necessárias e justificadas, disse na quinta-feira (10) o presidente Barack Obama ao receber o Prêmio Nobel da Paz.


Em discurso proferido na cerimônia de entrega do prêmio, em Oslo, Obama disse que os conflitos violentos não serão erradicados "durante nossas vidas", que há momentos em que as nações precisam travar guerras justas e que não ficará inerte diante de ameaças à população norte-americana.

"Onde a força se faz necessária, temos um interesse moral e estratégico em nos pautarmos por determinadas regras de conduta. E, mesmo enfrentando um adversário cruel que não se pauta por regra alguma, acredito que os Estados Unidos da América precisam continuar a fixar normas na conduta da guerra", declarou.

Nove dias depois de ter ordenado o envio de 30 mil soldados americanos adicionais ao Afeganistão para frear o avanço do Taliban, Obama reconheceu as críticas daqueles que disseram que é errado e prematuro outorgar o reconhecimento do Nobel a um presidente que ainda está em seu primeiro ano de mandato e que está intensificando uma guerra grande.

Ele disse que a adesão dos EUA a padrões morais, mesmo em guerras, é o que o diferencia de seus adversários.

"Essa é a fonte de nossa força. Foi por isso que proibi a tortura. Foi por isso que ordenei o fechamento da prisão em Guantánamo. E é por isso que reafirmei o compromisso dos EUA em obedecer à Convenção de Genebra," disse Obama.

Ao comprometer-se a fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba, que abriga estrangeiros suspeitos de terrorismo, e tomar medidas para levar seus detentos a julgamento em solo norte-americano, Obama vem procurando recuperar a liderança moral que críticos dos EUA acusaram seu predecessor, George W. Bush, de abandonar, ao travar uma "guerra ao terror" sem regras ou condições.

"Nós nos perdemos quando comprometemos os próprios ideais que lutamos para defender. E honramos esses ideais ao respeitá-los não apenas quando isso é fácil, mas quanto é difícil", disse Obama.

Sanções precisam causar impacto


Reconhecendo que existe "uma desconfiança reflexiva em relação aos EUA, a única superpotência militar do mundo", Obama disse que seu país não pode agir sozinho ao enfrentar desafios globais no Afeganistão, Somália e outras regiões em conflito.

Na busca por alternativas à força, disse ele, é preciso agir com dureza.

"Os regimes que infringem as regras precisam ser responsabilizados. As sanções precisam cobrar um preço real", disse Obama em trecho de seu discurso que tratou do arsenal nuclear da Coreia do Norte e das suspeitas de que também o Irã esteja buscando produzir uma bomba nuclear.

"Cabe a todos nós insistir que países como Irã e Coreia do Norte não subvertam o sistema", disse Obama. "Aqueles que buscam a paz não podem ficar parados, ociosos, enquanto nações se armam para uma guerra nuclear."

Em coletiva de imprensa anterior, Obama reafirmou que as tropas americanas vão começar a transferir a responsabilidade pela segurança afegã às forças locais em julho de 2011, mas declarou que não haverá "retirada precipitada".

Reconhecendo a controvérsia que cerca seu Prêmio Nobel, ele disse: "Não tenho dúvidas de que há outros que podem ser mais merecedores. Minha tarefa aqui é seguir no caminho que acredito ser importante não apenas para a América, mas para a paz duradoura no mundo."

Em um dia chuvoso com temperatura pouco superior a zero grau, milhares de pessoas saíram às ruas de Oslo, que estavam sob forte proteção policial, para saudar Obama.

Apenas alguns grupinhos de manifestantes contrários a ele eram visíveis. Um grupo carregava um cartaz dizendo: "Obama, você ganhou (o Nobel) - agora faça jus a ele."

Ambientalistas presentes na multidão pediram que o líder norte-americano assine um acordo ambicioso para combater o aquecimento global quando for a Copenhague, na próxima semana, para o momento culminante da conferência sobre mudança climática da ONU envolvendo quase 200 países.

Fonte: Reuters

 

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