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Obras da Copa

Antes da privatização, reforma do Maracanã já ultrapassa R$ 1 bilhão

Novo aditivo de R$ 200 milhões anunciado pelo governo do Rio de Janeiro praticamente dobra custo estimado inicialmente; segundo evento-teste é cancelado
por Maurício Thuswohl, da RBA publicado 09/05/2013 10h50, última modificação 09/05/2013 13h08
Novo aditivo de R$ 200 milhões anunciado pelo governo do Rio de Janeiro praticamente dobra custo estimado inicialmente; segundo evento-teste é cancelado
Tânia Rêgo/ABr
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Uma nova cobertura deverá ser construída para o estádio devido ao “estado de deterioração” da mesma. O plano inicial previa a utilização da cobertura já existente

Rio de Janeiro – Enquanto aguarda para hoje (9) a definição do vencedor da concessão de sua gestão à iniciativa privada pelos próximos 35 anos, o Maracanã ainda enfrenta problemas com sua reconstrução, que permanece inconclusa – apesar de já ter sido oficialmente encerrada – e custa cada vez mais caro. Inicialmente prevista em R$ 600 milhões, a reforma do Maracanã custará mais de R$ 1 bilhão. O governo do Rio de Janeiro confirmou esta semana um novo aditivo no contrato, no valor de R$ 200 milhões, para a “realização de ajustes” nas obras do estádio. Antes do anúncio do aditivo, o décimo efetuado desde o início das obras, a reforma já tinha custo estipulado em R$ 859,9 milhões.

No mais volumoso aditivo até aqui, feito em 2011, o custo total da reforma do Maracanã já havia sido majorado em R$ 250 milhões, com a justificativa de que uma nova cobertura deveria ser construída para o estádio. O plano inicial, que previa a utilização da cobertura já existente, não poderia mais ser executado devido ao “estado de deterioração” da mesma. Agora, o governo diz em nota que “obstáculos imprevisíveis” e “fatores alheios à vontade” justificam o novo aditivo.

“Uma obra dessa magnitude pode enfrentar obstáculos imprevisíveis ao longo de sua execução. O principal deles foi o expressivo aumento de quantitativo de recuperação e reforço estrutural e de demolição verificadas. Fatores alheios à vontade e controle do Consórcio impediram que as obras avançassem conforme planejado”, diz a nota divulgada pelo governo estadual. No projeto original, o término da reforma estava previsto para dezembro de 2012, mas os problemas de planejamento e execução, aliados a algumas paralisações promovidas pelos operários insatisfeitos, estenderam o prazo oficial para abril deste ano.

Mas, a pouco mais de um mês do pontapé inicial da Copa das Confederações, as obras do Maracanã dão inequívocos sinais de que ainda não estão prontas. Um deles é o cancelamento do segundo evento-teste, que estava marcado para 15 de maio e não será mais realizado. Agora, de acordo com o planejamento enviado à Fifa pelo governo do Rio, a próxima partida no estádio será o jogo amistoso entre Brasil e Inglaterra, já com venda normal de ingressos ao público, no dia 2 de junho. Até lá, terá de ser concluída a construção de bilheterias e catracas, além da urbanização intramuros do estádio.

O novo Maracanã recebeu sua primeira partida – um jogo-festa entre os Amigos de Ronaldo e Amigos de Bebeto - em 27 de abril, para um público de cerca de 20 mil pessoas formado pelos operários e seus familiares. O segundo evento-teste, cancelado, teria a ocupação da metade da capacidade total do ex-maior do mundo, agora estipulada em 78.639 lugares. Esse cancelamento contraria as normas estipuladas pela Fifa e pelo Comitê Organizador Local (COL), que, em documento, exigem “um mínimo de dois eventos-teste antes da Copa das Confederações” para todos os estádios que receberão jogos do torneio. Nenhuma das duas entidades, no entanto, se manifestou sobre o cancelamento do segundo evento-teste do Maracanã.