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Repleto de música boa, 'Hora do Rango' homenageia cidade de Santo André

Fora de seu tradicional estúdio, a Rádio Brasil Atual recebeu sete artistas para valorizar a produção musical da região do ABC paulista
por Felipe Mascari, da RBA publicado 09/04/2018 08h56, última modificação 10/04/2018 19h28
Fora de seu tradicional estúdio, a Rádio Brasil Atual recebeu sete artistas para valorizar a produção musical da região do ABC paulista
Lucas Duarte de Souza
Hora do Rango

Hora do Rango completará dois anos em maio. Já são 400 programas apresentados por Colibri Vitta

São Paulo – Dando voz a artistas do ABC paulista, a  Rádio Brasil Atual transmitiu neste sábado (7) uma edição especial do programa Hora do Rango. Com muita música e comida, a rádio, junto ao Instituto Acqua, celebrou o aniversário de 465 anos da cidade de Santo André, comemorado no domingo (8). 

Fora de seu tradicional estúdio, montado no auditório do Acqua, Colibri Vitta, apresentador do programa, recebeu sete representantes dos mais diversos gêneros musicais – uma de suas principais características do Hora do Rango. Segundo ele, a ideia é continuar rodar o Brasil e fortalecer outras culturas locais.

"No ano passado, fomos até Mogi das Cruzes e fizemos um programa especial lá. Hoje, em Santo André. A ideia é irmos para outros lugares e mostrar a diversidade musical de todas as regiões. Como o Hora do Rango já propõe a diversidade no programa, então faremos isso de forma regional também", contou o apresentador.

A forma diferenciada da Rádio Brasil Atual tratar a música, sem seguir a ótica de mercado, é o que levou à parceria  com o Instituto Acqua, segundo seu coordenador, Ronaldo Querodia. Para ele, há uma similaridade entre os dois trabalhos, resultando na parceria. "No Acqua temos incentivado atividades que estão fora do circuito tradicional da cultura. Isso é importante para retomar a cena artística do ABC e estimular atividades semelhantes", afirmou.

Participaram do programa a Nômade Orquestra, a rapper Lurdez da Luz, o músico e compositor Everson Pessoa, Canhoto (que toca cavaquinho no grupo Demônios da Garoa), e o cantor e compositor Kleber Albuquerque, que se apresentou ao lado

Lucas Duarte de Souza Kleber Albuquerque
Kleber Albuquerque (à direita) troca histórias ao lado de Rubi e o grupo Freud à Deriva
do também cantor Rubi e do grupo Freud à Deriva.

"Estou entre amigos", definiu Kleber,  nascido andreense. No ambiente amistoso, ele lembrou sua história ao lado dos companheiros de palco. "Eu e o René de França (guitarrista da Freud à Deriva) éramos amigos de colégio, dividindo vinho ruim. Já formamos essa amizade há muito tempo. No ano passado me reencontrei com o Rubi e já produzimos um disco", conta o artista citando o álbum Contraveneno, lançado em 2017.

A cidade é uma das principais inspirações para Kleber e Lurdez da Luz. "A vida influencia nas músicas e Santo André entra nisso, seja como cenário ou personagem. Mesmo não nos referindo à cidade em matéria, tudo que envolve aqui levamos para a arte", afirma. "A ligação que tenho com a cidade é profunda, pois foi o primeiro lugar que morei. Até dois anos atrás eu estava morando aqui ainda. Eu tenho muitas conexões com aqui", acrescenta Lurdes da Luz.

Por outro lado, outros apontam que falta valorização das prefeituras locais com a produção cultural do ABC. "A região tem uma cena importante no punk rock e no choro. Então, eu acho que as políticas públicas têm 'jogado contra' o espaço cultural daqui", lamenta o diretor do instituto.

"É preciso investir mais na cultura. Eu vejo que o ABC tem uma identidade que a capital não tem mas, por conta dos órgãos públicos, parece que tem uma barreira para a cena local progredir", acrescenta Ruy Rascassi, baixista da Nômade Orquestra e morador de São Caetano.

Os músicos apontam que o fato de a Rádio Brasil Atual ir na contramão do mercado e não cobrar jabá (dinheiro pago por gravadoras para que as emissoras toquem músicas de seus artistas) é fundamental para o fortalecimento dos músicos independentes.

Lucas Duarte de Souza Lurdez da Luz
Lurdez da Luz: 'Rádio Brasil Atual sempre abre espaço para músicas de qualidade'

"Eu acredito muito no poder do rádio, pois é onde nossa formação musical foi feita. Sempre houveram rádios alternativas para ir além do nicho comercial. A Rádio Brasil Atual sempre abre espaço para o meu trabalho e para músicas de qualidade", afirma Lurdez. 

Para Ronaldo, parcerias como essa podem ajudar a combater o atual momento político do país. "A presença desses músicos e do público mostra que a resistência tem vários aspectos. É uma música que fala a linguagem das ruas e demonstra a insatisfação desse cenário. É um dia festivo, mas também de reflexão mostrando que a arte é também uma forma de resistência, como foi há tempos atrás", finaliza.

Hora do Rango vai ao ar de segunda a sexta-feira, do meio-dia às 14h, com um convidado diferente a cada dia. Aos sábados, a Rádio Brasil Atual transmite um programa especial com os melhores momentos da semana, no mesmo horário.