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Após dois anos de ‘gestão empresarial’, capital paulista ainda tem 289 obras inacabadas

Maioria dos empreendimentos são nas áreas da educação, drenagem, infraestrutura urbana e saúde, segundo a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
16:40
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reprodução/TCM

Esqueleto do que deveria ser a UPA da Cidade Tiradentes, unidade que ajudaria a desafora o único hospital da região

São Paulo – O Tribunal de Contas do Município (TCM) de São Paulo recomendou que a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) melhore o planejamento e a fiscalização para garantir a realização das obras contratadas. Auditoria do órgão identificou 289 obras inacabadas na cidade, a maioria nas áreas da educação, drenagem, infraestrutura urbana e saúde. Mais da metade das construções está com mais de três anos de atraso e em apenas 5% delas a prefeitura tem perspectiva de retomar e concluir, sendo necessários cerca de R$ 12 bilhões para terminar todas. A gestão Doria não propôs grandes obras justamente por defender concluir as que estavam em andamento, a partir da ideia de “gestão empresarial” defendida por ele. Situação que se seguiu com Covas.

Saiba mais:

Entre as obras inacabadas, 106 estão totalmente paralisadas. A prefeitura, no entanto, reconhece que 68 obras estão nessa situação, mas a auditoria do TCM constatou que a situação é pior. As obras paradas já consumiram R$ 1,4 bilhão em projetos e outras ações. A auditoria estima que seriam necessários R$ 5,8 bilhões para retomar e concluir essas obras. Seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o Conjunto Habitacional Vargem Grande, os Centros Educacionais Unificados (CEU) Campo Limpo e Grajaú e o prolongamento da Avenida Jornalista Roberto Marinho estão paradas.

Estariam em andamento, segundo a gestão Covas, 85 das 106 obras inacabadas. Elas incluem outros 12 Centros Educacionais Unificados (CEU), iniciados na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), mas abandonadas quando o ex-prefeito e atual governador paulista, João Doria (PSDB), assumiu a prefeitura. Em apenas em um contrato, a prefeitura tem 10 Centros de Educação Infantil (CEI) – as creches – com obras atrasadas, iniciadas em 2014.

Do total de obras inacabadas, 98 foram licitadas, contratadas, mas não foram iniciadas. Nesse caso, a maioria das obras, 77, é na área da educação. Destas, 21 escolas de vários níveis de ensino foram contratadas ainda em 2011, na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), mas sequer tiveram as obras iniciadas. As unidades deviam ter ficado prontas em 2012.

O TCM ainda considera que a prefeitura precisa de um sistema de gerenciamento para centralizar as informações do andamento físico e financeiro das obras, evitando que a dispersão das informações abara brechas para corrupção e descontrole dos gastos. Para a auditoria, o tribunal precisou solicitar informações a vários departamentos de uma mesma secretaria, das subprefeituras e de empresas municipais. Todo esse descontrole, aliado aos atrasos, levou a prejuízos estimados em R$ 229 milhões, até dezembro de 2018.