história e dor

Filme sobre massacre de maias por militares na Guatemala repercute no mundo

História do massacre de camponeses “marxistas” na Guatalemala ganha tons de realismo mágico no filme “A Maldição da Mulher que Chora”, que concorre a um Globo de Ouro

divulgação
O longa mescla a história da Chorona, um clássico do folclore latino-americano, com o massacre de camponeses maias por militares que comandaram uma ditadura no país entre 1981 e 1983

São Paulo – A Maldição da Mulher que Chora (La Llorona, 2019), de Jayro Bustamante, será o primeiro filme da Guatemala a concorrer a um Globo de Ouro. O longa é categorizado como terror, suspense e realismo mágico, e concorre na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira. A distribuição dos prêmios ocorrem no dia 28 de fevereiro, domingo. Além de ser a primeira obra da Guatemala a concorrer ao prestigiado prêmio em Hollywood, o filme chama a atenção por ser um retrato criativo de uma verdadeira história de terror. O longa mescla a história da Chorona, um clássico do folclore latino-americano, com o massacre de camponeses da etnia Maia por militares que comandaram uma ditadura no país entre 1981 e 1983.

Foram 250 mil mulheres, homens e crianças massacrados durante o período. Por seus crimes, o ex-presidente Efraín Ríos Montt foi condenado em 2013. Entretanto, sua sentença foi anulada em tribunais superiores e ele morreu em 2018 sem cumprir um dia de pena pelas atrocidades cometidas contra os camponeses.

O filme

De um lado, o horror da realidade quando o governo militar dizimou herdeiros dos maias dentro de uma lógica bem conhecida pelos brasileiros: o governo ditatorial acusava os trabalhadores e trabalhadoras camponesas de colaborar com regimes marxistas, como Cuba e União Soviética. Do outro, a lenda de uma mulher que afogou seus filhos e sua alma arrependida vaga chorando pelos vilarejos em busca de redenção.

A protagonista do filme, Alma, vê seus filhos afogados por militares durante os massacres e é impedida de chorar pelos carrascos, sob pena da própria morte. Depois disso, ela acaba trabalhando na casa de um militar reformado como empregada doméstica. Seus lamentos e choros nas noites passam a atormentar o chefe assassino.

“Além do orgulho de ter um filme da Guatemala indicado, a história que ele conta é muito relevante. Obrigado”, disse a deputada de esquerda e ex-ministra da Saúde da Guatemala Lucrecia Hernández Mack. O diretor, Bustamante, também agradeceu a indicação. “Obrigado aos @goldenglobes pela nomeação, por abraçar o nosso cinema e a história recente do nosso país que merece chegar ao público internacional”, disse em uma rede social.

A competição

A indicação já é uma conquista, entretanto, a competição pela estatueta será dura neste ano. Além do filme guatemalteca, concorrem filmes de grande destaque como o dinamarquês Another Round (Druk, 2020), de Thomas Vinterberg. O longa apresenta uma caricatura do povo dinamarquês e sua relação com a bebida alcoólica, além de dilemas relacionados ao envelhecimento. Um dos protagonistas é Mads Mikkelsen. O renomado artista entrega uma atuação de gala em uma obra original e empolgante.

Também concorrem A Vida pela Frente (2020), do italiano Edoardo Ponti; uma obra que traz a lenda Sophia Loren como uma sobrevivente do Holocausto e sua relação de amizade com um órfão. Outra exceção neste panteão de filmes em língua não inglesa está um filme dos Estados Unidos. Minari (2020), de Lee Isaac Chung, é falado em sua maior parte em coreano e trata de uma família de imigrantes em busca do “sonho americano”. Nós Duas (2019), de Filippo Meneghetti, trata do romance escondido de duas aposentadas vizinhas na França.

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