geopolítica

Tradução de ‘Guerras Híbridas’ será lançada em Belo Horizonte dia 18

Livro articula conceitos de “revolução colorida” e “guerras não-convencionais” para explicar o que são guerras híbridas

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Ilustração de capa: autor caracteriza um novo padrão de atuação do imperialismo estadunidense, que tenta a todo momento depor governantes não alinhados e substituir regimes políticos

BdF – A editora Expressão Popular completa 20 anos com centenas de publicações de destaque no pensamento crítico brasileiro e internacional, difundidas de maneira acessível aos trabalhadores. Por ocasião desse momento importante, em 2019, a editora traduziu para o português o livro Guerras Híbridas – das revoluções coloridas aos golpes, do russo Andrew Korybko. No dia 18 de setembro, a tradução será lançada em Belo Horizonte. O evento é fruto de uma parceria entre a Expressão Popular, diversas entidades da Frente Brasil Popular, o Projeto Brasil Cidades e o Indisciplinar, grupo de pesquisas da Faculdade de Arquitetura da UFMG.

“O objetivo maior da criação dessa editora foi auxiliar na formação política. Então, esse evento do dia 18 é um esquenta das comemorações por ocasião dos 20 anos da editora. Depois, entre os dias 7 e 12 de outubro, vamos fazer várias ações nacionais para fomentar o debate. Nesse sentido, o livro Guerras Híbridas é muito importante porque nos ajuda a compreender nossa conjuntura, a realidade de hoje”, afirma o professor Wilson Ferreira, da Editora Expressão Popular.

O livro

O livro foi publicado em 2015. A obra parte do estudo dos recentes golpes na Síria e Ucrânia, impetrados pelos Estados Unidos com adesão de atores do Oriente Médio e Europa Oriental. Com base na compreensão desses dois casos e de uma farta documentação, o autor passa a caracterizar um novo padrão de atuação do imperialismo estadunidense, que tenta a todo momento depor governantes não alinhados e substituir regimes políticos na Eurásia, com vistas a inviabilizar a ascensão de Rússia, China e Irã.

Na epígrafe, Korybko cita um antigo estrategista chinês Sun Tzu, segundo o qual “o mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”. Nessa chave, o império ianque desenvolveria a arte de uma guerra mais eficaz e menos onerosa, econômica, política e socialmente para os Estados Unidos. Para tanto, busca desestabilizar regimes com o engajamento de atores locais e regionais, manipulando e mobilizando atores políticos civis por meio das redes sociais, provocando protestos rotulados como pacíficos, articulando grupos paramilitares e, enfim, perpetrando golpes de Estado com a aparência de mudanças legítimas, supostamente condizentes com a vontade das populações locais.

O fundamental na guerra híbrida é explorar diferenças socioeconômicas, étnicas e geográficas, em países estratégicos do ponto de vista da geopolítica. Isso é feito, segundo o autor, articulando mecanismos de “revolução colorida” com “guerras não-convencionais”, os dois conceitos chaves para entender a teoria das guerras híbridas. Em 2018, em entrevista ao portal Tutameia, Andrew Korybko disse que há uma intensa guerra híbrida sendo travada no Brasil e que um de seus instrumentos é a Operação Lava Jato.

O lançamento

No dia 18 de setembro, às 19h, será realizado o lançamento do livro na Faculdade de Arquitetura da UFMG. Na ocasião, haverá um debate, tendo à mesa a pesquisadora Ana Penido, do Instituto Tricontinental, o professor Juarez Guimarães, do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros, e o militante do movimento Levante Popular da Juventude, Artur Colito. As inscrições podem ser feitas pela internet. Os 50 primeiros inscritos serão presenteados com um exemplar do livro.

Endereço: Rua Paraíba, 697. B. Funcionários, BH

Link para inscrição: tinyurl.com/y2h4s3lq

Informações: (31) 9 8414-8686