Cidadãos de direitos

População de rua de São Paulo cobra ações do governo Covas contra covid e inverno

Movimentos sociais avaliam que o governo Covas está abandonando a população de rua em meio à pandemia de covid-19 e a chegada das frentes frias

divulgação
Manifestantes montam um pequena acampamento em frente à prefeitura, em protesto contra o abandono da população de rua

São Paulo – Manifestação dos movimentos da população em situação de rua, na tarde desta terça-feira (7), em frente à prefeitura de São Paulo, reivindica a adoção de políticas públicas para esta população, sobretudo para enfrentamento da covid-19 e para a chegada das frentes frias previstas para as próximas semanas. Os movimentos denunciam o descaso do prefeito Bruno Covas (PSDB) e da secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Berenice Giannella, bem como do governador João Doria (PSDB), que até o momento não tomaram medidas efetivas para proteger essa população. O ato teve início às 18h.

“Considerando o período de pandemia da covid-19, agravado pela chegada das frentes frias, torna-se ainda mais imprescindíveis a implementação de políticas públicas voltadas para pessoas que estão na rua e não têm para onde ir. A manifestação tem como objetivo reivindicar os direitos e a implementação de políticas públicas efetivas para a população em situação de rua, permitindo o isolamento social na prevenção da Covid-19, proteção ao frio e as condições mínimas de sobrevivência”, dizem os movimentos Nacional e Estadual da População em Situação de Rua.  

Segundo censo realizado pelo governo Covas, a cidade possui 24.344 pessoas vivendo nas ruas. Os movimentos consideram o número defasado, tanto por falhas na contagem como em consequência da pandemia de coronavírus.

Em 30 de abril, Covas sancionou a Lei 17.340, autorizando a prefeitura a bancar a hospedagem dessas pessoas em hotéis. “Passados mais de dois meses da aprovação dessa lei, seguimos sem nenhuma vaga, não tendo garantias das condições básicas de acolhimento para quem não tem onde abrigar-se, em tempos que as desigualdades social e racial se tornam mais acirradas”, afirmam os movimentos.

As entidades também criticam fala da secretária Berenice Giannella, insinuando que existem 1.731 vagas de acolhimento ociosas e que a população de rua não procura os serviços porque não quer. “Esse discurso infundado é proferido por grande parte dos gestores públicos e reverbera para a população em geral, chegando a afirmações absurdas como as feitas pela presidente do Fundo Social de Solidariedade, Bia Doria, de que ‘a rua é um atrativo’, sempre no sentido de aumentar o preconceito e culpar as pessoas que estão em situação de rua”, criticam.

“Os centros de acolhida em São Paulo oferecem apenas 13 mil vagas, que não são suficientes para atender o enorme contingente de pessoas que hoje estão nas ruas. Além do número defasado de vagas, esses centros apresentam péssimas condições de atendimento: grandes aglomerações, péssimas estruturas, falta de limpeza e presença de pombos e de percevejos, como vem sendo cotidianamente denunciado pelos movimentos de apoio à população de rua”, completam os movimentos.

Edição: Fábio M. Michel