Mudança de perfil

Desde o primeiro censo, no Império, população brasileira saltou de 10 milhões para 210 milhões

Em 1872, Minas e Bahia concentravam municípios mais populosos. São Paulo apareceu 10 anos depois, chegando ao topo nos anos 1950. Gráfico mostra transformação

Diogo Moreira/Divulgação Governo SP
No primeiro recenseamento, São Paulo nem aparecia entre as 20 primeiras cidades. Hoje, com 12,2 milhões, supera toda a população brasileira daquele período

São Paulo – No primeiro recenseamento realizado no Brasil, em 1872, a população não chegava a 10 milhões, a capital era o Rio de Janeiro e municípios de Minas Gerais (oito) e Bahia (cinco) estavam entre os 20 mais populosos, de acordo com o IBGE. Pela estimativa de 2019, apenas São Paulo supera o total brasileiro daquele período, com 12.252.023 habitantes. O município só passou a figurar entre os 20 em 1882, chegando ao topo no início dos anos 1950, quando superou o Rio de Janeiro, hoje com 6.718.903.

“Foi um período de rápida transformação de perfil, de agrário para urbano, de uma população distribuída em pequenas vilas, para concentrada em grandes cidades”, diz o demógrafo Márcio Minamiguchi, do IBGE. Segundo ele, os maiores municípios estavam no interior, com população predominantemente rural.

Em Minas Gerais, por exemplo, a mineração contribuiu para o desenvolvimento urbano. “A gente observa no gráfico a resiliência das cidades de mineração, que permanecem como grandes municípios até início do século 20”, afirma a geógrafa Maria Mônica O’Neill.

De acordo com o instituto, até os anos 1930 Minas Gerais tinha o maior número de municípios entre os 20 maiores. Fundada em 1897, Belo Horizonte chegou a ser a terceira maior cidade brasileira nos anos 1960. Atualmente, está em sexto lugar, com 2.512.070 habitantes. A terceira posição agora é de Brasília: 3.015.268.

“O capital mobilizado para a produção de café começa a migrar para o setor industrial em São Paulo. Essa transição é mais concentrada espacialmente, há um ganho com a proximidade. Quanto mais indústria surge em um lugar, mais estímulo tem para outras se concentrarem ali”, acrescenta o geógrafo Marcelo Paiva da Motta.

O IBGE elaborou o gráfico acima que permite observar as transformações ocorridas neste século e meio, com “formação de aglomerados urbanos e o processo de metropolização, como no caso dos municípios de Guarulhos, Nova Iguaçu e Duque de Caxias”, que cresceram rapidamente a partir de meados do século passado. “Hoje em dia nós vemos que os processos de rearranjos espaciais continuam, reforçam alguns padrões e trazem novos. Por exemplo, em São Paulo há uma ‘desconcentração concentrada’, onde as indústrias saem da região por conta do preço da mão de obra, mas se mantêm dentro do estado”, afirma Maria Mônica.

Depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, completam a lista dos 10 maiores municípios Salvador (2.872.347), Fortaleza (2.669.342), Belo Horizonte, Manaus (2.182.763), Curitiba (1.933.105), Recife (1.645.727) e Goiânia (1.516.113). Em seguida, aparecem Belém, Porto Alegre, Guarulhos (SP), Campinas (SP), São Luís, São Gonçalo (RJ), Maceió, Duque de Caxias (RJ), Campo Grande e Natal.


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