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Trabalhadoras protestam no INSS de São Paulo contra reforma da Previdência

Ex-ministra Eleonora Menicucci afirmou que o país vive um momento de derrubada de direitos e que a aposentadoria aos 65 anos desconsidera jornada maior das mulheres
Publicado por Redação RBA
16:26
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CUT-SP/Facebook
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#aposentadoriafica Ato organizado pelas mulheres da CUT marca #8deMarço em São Paulo

São Paulo – Pelo menos 500 mulheres participaram no início da tarde de hoje (8) de manifestação contra a reforma da Previdência, em frente à superintendência do INSS em São Paulo, no Viaduto Santa Ifigênia, região central. Promovido pela CUT, o ato teve a presença de diversos sindicatos da capital e do interior. Elas afirmaram que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, do governo Temer, prejudica ainda as mulheres. 

A ex-ministra Eleonora Menicucci (da Secretaria de Políticas para as Mulheres no governo de Dilma Rousseff) disse que o país vive um momento de derrubada de direitos, depois que o golpe contra o mandato de Dilma foi consolidado com o impeachment. “A aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres desconsidera que as mulheres trabalham mais, que elas vivem o parto, a amamentação, a menstruação e a menopausa, e mostra que a divisão sexual do trabalho não foi quebrada”, afirmou.

A ex-ministra também lembrou os 100 anos da Revolução Russa, “iniciada por um movimento de mulheres trabalhadoras da indústria têxtil”. E observou que o debate continua atual. “As mulheres trabalhadoras sempre estiveram à frente da luta social e hoje os debates feministas passam pelo mercado de trabalho, com igualdade de salários, funções e jornadas. A reforma da Previdência é uma grande violência contra mulher.”

A diretora de base do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia) Rosa Favaro, afirmou que a reforma da Previdência desconsidera que a mulher tem jornada tripla de trabalho. “Ela vai afetar as mulheres mais que qualquer homem”, sustentou. Para a secretária de Formação do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), Solange Cristina Ribeiro, e integrante da CUT-SP, a reforma de Temer tem um objetivo, que é “caçar nosso direito à aposentadoria”.

Já a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Junéia Batista, ressaltou o momento político. “Todos os anos, há 30 anos, eu vou para a rua no 8 de Março com companheiras feministas para denunciar a violência contra mulher e exigir a legalização do aborto e do direito aos nossos corpos, mas este ano é diferente porque todas que estão aqui correm o risco de nunca se aposentarem. Vamos lutar contra a reforma da Previdência”.

Também participaram do ato militantes do Movimento Nenhuma a Menos, e representantes do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado (SindSaúde), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Aluna de Serviço Social Presidente Prudente, a 560 quilômetros da capital, Yasmin Marques viajou até São Paulo com mas seis estudantes para participar do ato. Ela diz que “conquistar a Previdência foi fruto de muita luta e não vamos permitir que o governo nos tire isso”.

Reforma da miséria

“A reforma da Previdência vai aumentar a miséria entre as mulheres e também a violência, porque se sabe que quando as mulheres dependem economicamente dos homens elas ficam mais vulneráveis à violência”, afirmou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira. “Essa reforma é excludente e promove a desigualdade”, acrescentou.

Ex-secretária de Políticas para as Mulheres do município de São Paulo, Denise Motta Dau enfatizou a mobilização para garantir a manutenção de políticas públicas, ameaçadas pela gestão Temer. “No governo federal, Temer acabou com a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Secretaria de Igualdade Racial, que foram conquistas dos trabalhadores. Em São Paulo, (o prefeito João) Doria incorporou a secretaria das mulheres a de direitos humanos, mas ela não esta desempenhado seu papel para as mulheres.”

Com informações da repórter Sarah Fernandes