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Greve Global pelo Clima

Petroleiros avisam: privatização traz riscos ao ambiente

“A Vale privatizada destruiu o rio que lhe deu o nome, destruiu o rio Doce”, lembra dirigente da FUP que divulgou manifesto de apoio à greve mundial pelo clima e contra esfacelamento da Petrobras
Publicado por Cláudia Motta, para a RBA
17:26
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Divulgação

Para aumentar lucro e acelerar produção, empresa estrangeira eliminou equipamentos mais caros e causou trinca no solo do oceano no Rio de Janeiro, argumenta petroleiro contra privatização da Petrobras

São Paulo – As privatizações previstas pelo governo Jair Bolsonaro, como a da Petrobras, podem colocar ainda mais em risco o meio ambiente. “As empresas, esses fundos financeiros, certamente não vão atuar com a preocupação ambiental que se faz necessária”, afirmou em entrevista à Rádio Brasil Atual o dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) João Antonio de Moraes. “Quem consegue planejar o uso da energia de uma maneira mais sustentável e ambientalmente respeitável é de fato o Estado, quando planeja”, ressaltou.

Para comprovar sua tese, o dirigente lembra um dos mais graves crimes ambientais já cometidos no Brasil. “A nossa Vale do Rio Doce, que é maior mineradora do planeta, enquanto era estatal, não teve nenhum acidente ambiental grave. Depois que ela foi privatizada, nós já passamos por vários acidentes ambientais, sendo os mais graves os de Mariana e Brumadinho, que causou a morte de muitas pessoas, mais danos irreparáveis”, critica. “A Vale privatizada destruiu o rio que lhe deu o nome. A Vale destruiu o rio Doce.”

Moraes compara a situação, então, ao que pode ocorrer com uma instalação petrolífera, com empresas que produzem petróleo no oceano a 7 mil metros de profundidade. “O pré-sal é muito importante para o Brasil, mas ele tratado sob a lógica pura e simplesmente do lucro, é muito temerário. É uma produção ambientalmente delicada”, explica. “Nós vivemos em 2011 um acidente grave lá no Campo de Frade, no litoral do Rio de Janeiro, por parte da Texaco, que passou a ser operada pela Chevron. Imaginem vocês o pré-sal nessas condições. Seria muito grave”, afirma, reforçando do papel da Petrobras como empresa estatal.

O petroleiro conta que esse vazamento ocorreu porque a Chevron, para aumentar seus lucros e acelerar a produção, eliminou equipamentos que eram mais caros, mais sofisticados, e causou uma trinca no solo do oceano no Rio de Janeiro. “Mas Frade era um pequenino campo. Imaginem vocês um campo como o de Lula, que produz mais de 100 mil barris de petróleo por dia. Acontecer algo semelhante a isso, com um campo desse tipo, vai ser uma tragédia gigantesca, nos moldes do que aconteceu no Golfo do México, que teve um vazamento de petróleo com 200 quilômetros de extensão, causado pela maneira de produzir energia com pressa para ter mais lucro.”

Não tem outro país privatizando

Em manifesto divulgado nessa quinta-feira, no qual a FUP declara seu apoio à Greve Global pelo Clima, os petroleiros alertam que o desmonte do Sistema Petrobras representa graves riscos ao meio ambiente no Brasil.

“Nossos recursos naturais não podem ser tratados como mercadoria a serviço do sistema financeiro. São questões de soberania nacional”, ressalta o documento. “Paralelamente, o governo Bolsonaro acelera a privatização das empresas nacionais de energia. O objetivo é facilitar a entrega dos nossos recursos naturais para as empresas estrangeiras” denuncia em outro trecho. “A Petrobras é reconhecida pelo seu compromisso socioambiental, responsável por importantes iniciativas neste sentido, como os Projetos Tamar e Baleia Jubarte. Você acha que uma empresa de petróleo estrangeira teria algum compromisso com a proteção e preservação dos nossos ecossistemas e das comunidades locais onde venha a atuar?”

Moraes afirma que os petroleiros defendem que o que se arrecade com o petróleo do pré-sal seja utilizado para planejar o Brasil, notadamente investir em saúde, educação. Como estava previsto na Lei da Partilha, “A presidenta Dilma teve um olhar especial na destinação dos royalties para educação (75% deles), assim como no planejamento dessa transição energética”, lembra. “A Petrobras, quando ela tinha esse olhar mais social, mais responsável com o país, vinha investindo fortemente em energia solar, energia eólica. Destinava parte do seu lucro pra desenhar essa transição, E isso hoje não está acontecendo mais. E será muito difícil, quase impossível, acontecer com o olhar de multinacionais, que querem ganhar muito e rápido.”

E cita o acidente nuclear da usina de Fukushima, que também foi privatizada. “Aquela privatização acelerou isso porque os investimentos não foram feitos adequadamente.”

Moraes ressalta que não tem nenhum outro país do mundo privatizando. “O Brasil é o único que tem feito privatizações. Aas nações têm recuado, recomposto suas empresas que tinham sido privatizadas”, diz.

“Os Estados Unidos têm 7 mil estatais. E aqui a opção é entregar tudo. É preciso que nós brasileiros façamos mais o que o Estados Unidos faz e não o que nos mandam fazer. Mas nosso presidente faz tudo que ele manda fazer.”

O clima não está bom

A CUT São Paulo também divulgou manifesto em apoio à Greve Mundial pelo Clima. “Para a Central Única dos Trabalhadores Estadual São Paulo (CUT-SP), um desenvolvimento realmente sustentável deve incluir o respeito à natureza e a democracia plena, promotora de dignidade econômica, igualdade social e redutora de impactos ambientais. As relações socioambientais, que colocam o dinheiro acima da vida, precisam mudar para revertermos as ameaças à continuidade da vida na terra”, afirma a entidade.

“Neste sentido, o movimento sindical deve se engajar nas ações de informação e combate às mudanças climáticas, por entendermos que os efeitos catastróficos das mudanças climáticas atingem em cheio a classe trabalhadora”, orienta.

Leia a íntegra.