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Governo de São Paulo reduz ainda mais bônus pago a professores

Com a redução em 48% do total pago de 2010 para 2011, número de professores com direito ao "prêmio" cai em 20 mil. Sindicato critica fórmula excludente
por Letícia Cruz, Rede Brasil Atual publicado , última modificação 04/04/2011 17:35
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Com a redução em 48% do total pago de 2010 para 2011, número de professores com direito ao "prêmio" cai em 20 mil. Sindicato critica fórmula excludente

Além da redução de profissionais beneficiados pelo bônus, o valor de alguns podem ser irrisórios (Foto: Valter Campanato/Abr)

São Paulo – O governo do estado de São Paulo reduziu o número de professores com direito ao bônus anual, pago a partir desta sexta-feira (1º). No total, o pagamento soma R$ 340 milhões, 48,1% a menos do que em 2010, quando o desembolso foi de R$ 655 milhões. Neste ano, serão 190 mil professores contemplados com abonificação, 20 mil a menos do que no ano passado (210 mil). Além disso, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), há casos em que o valor pago é de apenas R$ 0,48. A soma dos valores pagos a professores, supervisores e diretores.

O bônus é pago desde 2009 e encarado pelo governo como uma forma de incentivo aos docentes, de acordo com a melhora de resultado no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), que avalia escolas e professores. A Apeoesp critica a medida desde a implantação, já que ela limita o aumento da remuneração a uma pequena parcela da categoria, sem promover reajustes salariais ao conjunto dos docentes.

Em artigo, a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, afirma que há uma grande insatisfação da categoria, apesar do anúncio da bonificação. Segundo ela, alguns dos professores podem receber valores irrisórios, como R$ 0,48, apesar de o bônus ser calculado proporcionalmente aos resultados das escolas.

Procurada pela Rede Brasil Atual, a secretaria não se pronunciou sobre esses casos. Segundo o órgão, o bônus inclui equipes de 3.778 escolas (75% do total). Ainda de acordo com números oficiais, são 142 mil os educadores que têm direito a até R$ 2.500, enquanto 33 mil alcançariam patamar entre esse valor e R$ 5.000. Outros 15 mil profissionais receberiam mais do que esse valor. As faltas diminuem o bônus, sendo que os profissionais devem trabalhar ao menos 244 dias ao ano para receber.

"Agora é preciso aprimorar o sistema para que seja mais eficiente", admite o secretário de Estado da Educação, Herman Vooward, conforme comunicado à imprensa. "Técnicos da Secretaria da Educação já estão desenvolvendo estudos com essa finalidade”, disse. Os resultados do Idesp variam de acordo com o nível de ensino em que o profissional atua. Há uma página online para os docentes consultarem se têm direito à bonificação.

Valorização

Para Bebel, a diferenciação nos pagamentos dos professores soma-se a outros fatores considerados degradantes, como as jornadas de trabalho excessivas e precarização dos temporários. "A forma como o governo estadual lida com o bônus é exemplar de como os professores são desrespeitados. O governo sempre apresentou o bônus como uma benesse e uma concessão", atacou.

"Na verdade, o governo está deixando de cumprir sua obrigação, de reajustar nossos salários de acordo com a inflação e negociar aumento real no mês de março", acredita a presidenta. Para ela, o esquema de pagamentos por mérito desvia a responsabilidade de valorização do magistério. 

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