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fora pedro parente

Movimentos se unem a petroleiros em ato na Avenida Paulista

Manifestação pediu a redução nos preços dos combustíveis e gás de cozinha, além de defender uma Petrobras pública a serviço do interesse nacional
por Gabriel Valery, da RBA publicado 30/05/2018 21h32, última modificação 31/05/2018 12h54
Manifestação pediu a redução nos preços dos combustíveis e gás de cozinha, além de defender uma Petrobras pública a serviço do interesse nacional
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Ato em São Paulo pediu a queda do presidente da estatal, Pedro Parente

São Paulo – Milhares de manifestantes se concentraram no início da noite desta quarta-feira (29) em frente ao prédio da Petrobras na Avenida Paulista. O ato, convocado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular reuniu um público heterogêneo em defesa de uma Petrobras de caráter público e da redução do preço nos combustíveis e gás de cozinha.

A manifestação começou sua concentração por volta das 18h. Uma hora mais tarde, a massa engrossou com a chegada de uma passeata da Frente Povo Sem Medo, que se reuniu no Masp, a alguns metros dali. O ato de coincide com o início da greve dos petroleiros em defesa das mesmas pautas, que deve durar 72 horas, com possibilidade de extensão. Ao longo do dia, 25 plataformas de petróleo da Bacia de Campos foram paralisadas, além de parte do corpo administrativo da estatal.

Tiago Franco é petroleiro, dirigente sindical e trabalha no polo administrativo de São Paulo. Ele explica a urgência da pauta da categoria. "Não estamos pedindo aumento. Estamos pedindo redução dos preços. Hoje, a Petrobras deixa o mercado aberto para que empresas estrangeiras explorem nossa riqueza. Não podemos deixar que a campanha de que o petróleo é deles seja vencedora", disse. 

"Estamos nessa lista de países que terão suas riquezas roubadas, assim como a Venezuela. Quem acredita que os colonizadores querem nosso bem está enganado. Esse é um ato de esclarecimento, não temos a estrutura deles mas estamos do lado do povo brasileiro", completou.

Outro ponto de crítica foi a ação da direção da empresa que resolveu hoje elevar o preço da gasolina em 0,74% na refinaria. Os petroleiros criticam a política de preços adotada pelo presidente Pedro Parente, que atrela os preços ao câmbio e ao valor do barril no mercado internacional, fazendo com que os preços flutuem constantemente. Só em maio, a alta na gasolina supera os 9%. 

"Parente deixou o petróleo à mercê da política de preços norte-americana. Quem paga o pato é a população. É uma barbaridade o que está acontecendo", disse o dirigente da CUT, João Batista. "Essa luta é de todos os brasileiros. Exigimos baixar o preço do gás, do combustível e exigimos 'fora Parente'. Estamos na rua para defender o petróleo e defender a greve dos petroleiros. Se o povo não pegar o destino da nação nas mãos, não podemos esperar nada desse governo."

Outro petroleiro do polo paulistano, o engenheiro Francisco Gonçalves, questionou tal politica. "Quando a Petrobras começou a aumentar absurdamente o valor do petróleo, quem ganhou? O governo e rentistas internacionais. Quero chamar a atenção sobre os caminhoneiros. Eles têm uma pauta que é o frete mínimo, que é justo, e queriam a liberação do pedágio do eixo suspenso."

"Agora, a pauta dos donos das transportadoras, o locaute, é a redução do diesel sem mudança na política de preços. Eles querem tirar PIS e Cofins que vão para programas sociais e para o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Vamos pagar esse preço. Essa é a realidade e nós petroleiros não vamos arregar um passo. Esse é o começo de uma grande batalha", defendeu.

Outros movimentos sociais se somaram à luta dos petroleiros. É o caso dos estudantes que estiveram presentes com representantes da UNE e da Ubes. "Há oitenta anos, a UNE foi protagonista da luta que resultou na criação da Petrobras. Por conta dessa empresa, o Brasil tomou um golpe. Não admitiam que nos tornássemos uma potência do petróleo. Não admitem que não vivamos de joelhos. É demais para os EUA conviver com uma América Latina soberana e desenvolvida. Esse é o real motivo do que está acontecendo, precisamos denunciar o que estão fazendo com a Petrobrás", disse a presidenta da UNE, Marianna Dias.

"O Congresso é irresponsável, então o povo tem que defender a Petrobras. Os caminhoneiros tiveram sua vitória no diesel, mas gasolina e gás não reduziram e só com luta vamos construir um país soberano. Os estudantes desse país querem proteger a Petrobras, nossa riqueza que precisa estar a serviço do povo. Não podemos deixar eles entregarem a Petrobras", concluiu. 

Por fim, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato à Presidência pelo Psol, Guilherme Boulos, disse que "queremos a queda daquele que foi responsável por essa política. O Pedro Parente precisa cair. Se tivesse vergonha na cara já tinha saído pelo que fez com o país. Estamos em defesa da Petrobras e não pela intervenção militar. Queremos intervenção popular".

Ouça entrevista de João Morais, da FUP, avaliando o primeiro dia de movimento