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Jobim volta a atacar o governo: Ideli é "fraquinha" e Gleisi "não conhece Brasília"

Titular do Ministério da Defesa acumula histórico de atritos. Em nova entrevista, ele repete a dose, com críticas que resvalam na Presidência
por Redação da RBA publicado , última modificação 04/08/2011 11h28
Titular do Ministério da Defesa acumula histórico de atritos. Em nova entrevista, ele repete a dose, com críticas que resvalam na Presidência

Jobim tem um histórico de tensões e atritos com o próprio governo desde que assumiu, em 2007, ainda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil - arquivo)

São Paulo - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, protagoniza um novo capítulo de atritos com o governo do qual faz parte. Em entrevista à revista Piauí, que deve ser publicada na íntegra apenas nesta sexta-feira (5), ele tenta desqualificar duas colegas de primeiro escalão da administração da presidenta Dilma Rousseff. Os alvos foram a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

A divulgação do conteúdo acontece um dia depois de uma reunião entre Jobim e Dilma. A presidenta e suas duas ministras formam um trio central no Executivo, coordenando politicamente as ações do governo. Enquanto Ideli é taxada de "fraquinha" por Jobim, Gleisi é alguém que "nem sequer conhece Brasília". A informação foi publicada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Em relação à condução da discussão da Lei Geral de Acesso à Informação, o ministro da Defesa vai mais fundo: "É muita trapalhada". Jobim e o Itamaraty são apontados como os polos favoráveis, dentro do governo federal, à manutenção do sigilo eterno para documentos ultrassecretos do Estado brasileiro que dizem respeito à formação de fronteiras e a episódios como a Guerra do Paraguai (1864-1870). A Câmara dos Deputados revertou a medida, estabelecendo máximo de 50 anos de sigilo e a medida tramita atualmente no Senado.

Jobim tem um histórico de tensões e atritos com o próprio governo desde que assumiu, em 2007, ainda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. No mês passado, em entrevista à Folha, ele declarou ter votado em José Serra (PSDB) na eleição presidencial de 2010 – quando o tucano disputava o cargo com a hoje presidenta Dilma. Antes, fez críticas à terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), insinuou que estaria cercado por "idiotas", foi apontado como nome "confiável" dentro do governo pela estrutura diplomática dos Estados Unidos, entre outros episódios.

Na segunda-feira (1º), Jobim disse ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que tem "prazer" em exercer o cargo e que pretende permanecer. Entre militares, é dada como certa sua saída em breve, já que teria havido um acordo entre o ministro e o ex-presidente Lula no sentido de garantir sua permanência apenas por alguns meses. A opção de manter polêmicas e acumular desgastes reforça as especulações a respeito de sua substituição.