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PT e PMDB fazem acordo para tentar eleger Picciani ao Senado no Rio

por Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual publicado 17/09/2010 17h24, última modificação 17/09/2010 17h40

O candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB) (Foto: Divulgação/Flickr)

Rio de Janeiro – A necessidade eleitoral muitas vezes une o que está separado. Depois de passar toda a campanha vendo a relação política entre os dois candidatos ao Senado em sua chapa oscilar entre a animosidade e o desprezo, o governador Sérgio Cabral (PSDMB), sem esconder a satisfação, anunciou na quarta-feira (15) que Jorge Picciani (PMDB) e Lindberg Farias (PT), desafetos públicos, estarão finalmente juntos. Isso inclui saídas às ruas e no material impresso nesta reta final de campanha.

O acordo entre o PT e o PMDB começou a tomar forma quando as últimas pesquisas de opinião mostraram Lindberg em situação de empate técnico pelo primeiro lugar com Cesar Maia (DEM) e Marcelo Crivella (PRB). Enquanto isso, Picciani aparece em quarto lugar. A ascensão do candidato petista, impulsionada pela "onda vermelha" da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), fez com que algumas suscetibilidades fossem superadas na ala peemedebista mais próxima a Picciani, que se recusava a aceitar o ex-prefeito de Nova Iguaçu como aliado.

A partir da constatação de que a companhia de Lindberg passou a ser muito boa em termos eleitorais, a aproximação entre as candidaturas foi costurada por Cabral, pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) e pelo senador Francisco Dornelles (PP). Durante o anúncio do acordo, feito após reunião na casa do governador, foi informado que o petista passaria a pedir votos para Picciani. Em troca, o PMDB prometeu abrir para Lindberg as portas da até aqui fechada máquina eleitoral das prefeituras do interior, onde Picciani tem o apoio declarado de 90 prefeitos que estavam pedindo votos somente para ele. O PP de Dornelles, que também só estava pedindo votos para Picciani, passará a fazer o mesmo para Lindberg.

A pressão pelo apoio a Picciani chegou até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, desde o início da campanha, tem se recusado a gravar mensagem pedindo votos para o candidato do PMDB, mas gravou para Lindberg e Crivella. Lula ainda não foi convencido a gravar um apoio, mas permitiu que sua imagem fosse usada na propaganda de Picciani na tevê, o que já foi feito nesta sexta-feira (17). Dilma, que também ainda não gravou mensagem de apoio ao peemedebista, cedeu uma imagem de um evento onde diz, sem muito entusiasmo, que “Picciani é o outro candidato de nossa coligação no Rio de Janeiro”.

PT dividido

Se no PMDB as razões eleitorais prevaleceram sobre as diferenças políticas com Lindberg Farias, no PT a questão é mais complicada, com o partido dividido. “Esse acordo com o Jorge Picciani veio a tempo e em boa hora. O que estamos fazendo aqui no Rio é reproduzir a aliança que vai eleger Dilma. Temos condições também de elegermos os dois senadores”, afirmou o deputado federal Luiz Sérgio, presidente do PT no Rio e candidato a reeleição.

Também deputado federal candidato à reeleição, Antônio Carlos Biscaia, um dos relatores do Projeto Ficha Limpa na Câmara, faz parte do setor do PT que não aceita fazer campanha para Picciani. “O meu material de campanha foi feito com o único candidato a senador que merece o nosso apoio, que é Lindberg Farias. Então, esse anúncio de acordo na reta final para favorecer o Picciani não conta com a minha concordância. Vou manter a mesma linha que venho adotando desde o começo da campanha”, afirma Biscaia.

Na mira do MPE

O apoio de parte do PT a Picciani se tornou ainda mais difícil na semana passada, quando o Ministério Público Eleitoral iniciou uma investigação contra o presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e outros quatro deputados por utilização eleitoral do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida do governo federal. Além de Picciani, os deputados Édson Albertassi (PMDB), André Corrêa (PPS), Alessandro Calazans (PMN) e João Pedro (DEM), todos candidatos à reeleição, fazem parte da Comissão de Habitação da Alerj, responsável pelo credenciamento de pessoas para o programa no estado.

Segundo a investigação do MPE, as pessoas que se cadastravam para participar do Minha Casa, Minha Vida no Rio recebiam um folheto promocional com informações sobre o programa. O folheto, no entanto, trazia também os nomes dos cinco parlamentares, o que configura crime eleitoral. “Os nomes apareciam como responsáveis, em última análise, pela iniciativa”, diz o trecho da denúncia contra os deputados. De acordo com a Justiça Eleitoral, a pena prevista para esse crime é de cassação do mandato.