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Em debate morno, Marina mira em Serra, que evita confronto direto com Dilma

por João Peres, da RBA publicado , última modificação 30/09/2010 22h25

Candidatos no último debate presidencial (Foto: Thays Cabette)

São Paulo – Teve tom morno o último debate entre candidatos à Presidência da República neste primeiro turno. No geral, a confrontação de maneira mais enfática ficou clara por parte dos dois participantes que não lideram as pesquisas.

No encontro da Rede Globo, Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) fizeram questão de se mostrar como alternativas reais a Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), cada qual de uma maneira. Os dois mais bem colocados, por outro lado, não tiveram confrontação direta em nenhum momento. Sempre que puderam escolher a quem perguntar, a petista e o tucano preferiram a Marina e a Plínio.

A senadora, apesar de ter falado sobre o governo atual em alguns momentos, direcionou as críticas ao tucano, que atualmente ocupa o segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto. O ponto mais tenso deste embate ocorreu no último bloco, quando Marina Silva lembrou que vários aliados do tucano são contra o Bolsa Família. Serra, como havia feito em outras ocasiões, apresentou-se como um dos pais do projeto, mas evitou falar das críticas feitos por seus coligados. Marina rebateu: “Para mim, as políticas sociais são muito importantes porque melhoram a vida das pessoas. Você não responde, você não diz que faz uma autocrítica. O que estamos é diante de discursos de conveniência a cada circunstância.” Serra, visivelmente irritado, pediu que Marina não usasse a própria régua para medir os outros.

Como havia feito em outros debates, Plínio tentou mostrar Dilma, Marina e Serra como candidatos iguais. O candidato do PSOL avalia que as propostas de seus adversários são inviáveis à medida em que eles não pretendem enfrentar o problema estrutural, que é a base econômica atual. Ele considera que os três mais bem posicionados na pesquisa farão governos que servirão a banqueiros e a latifundiários. “Não vai ter dinheiro para isso se não fizer auditoria da dívida, que está consumindo todos os recursos da União. Você defende uma política igual à do Fernando Henrique Cardoso. Estabilidade, juros elevados”, afirmou a Dilma, que acabava de falar sobre saneamento.

A candidata da situação enumerou conquistas do governo Lula. Teve pela frente temas em que a atual gestão é muito bem avaliada, como segurança e geração de empregos. Logo no primeiro bloco, questionada por Marina sobre a redução da informalidade, a petista se saiu sem dificuldades. "Até 2005, o que a gente via era o processo do bico, do jeito pra sobreviver. Com o governo Lula aumentamos bastante a formalização do trabalho. Tanto é assim que batemos todos os recordes de criação de emprego com carteira assinada".

José Serra, novamente, apresentou pontos que considera como trunfos de sua vida pública. Falou da gestão no Ministério da Saúde e do metrô em São Paulo, atribuindo para si uma série de projetos. Mas teve vários pontos vagos ao falar de suas propostas, sem dar uma direção clara a seus pensamentos e ao que faria em um eventual governo. Ao comentar problemas climáticos, falou que criaria a Defesa Civil Nacional, órgão que já existe atualmente, subordinado ao Ministério da Integração Nacional. 

Sobre habitação, pontuou que vai dar ênfase a quatro questões: regularização da propriedade, preferência à baixa renda, urbanização de comunidades e residência para idosos. A falta de uma delimitação clara sobre como colocaria em prática os projetos provocou a reação de Marina Silva. “Essa questão de tratar assuntos como passes de mágica é que precisa acabar no Brasil. Não vi essa prioridade ser encaminhada em São Paulo no período em que você foi prefeito e no período em que você foi governador.”

Outro debate relevante deu-se entre Marina e Dilma a respeito de saídas para a crise. A senadora considera que a crise financeira não pode ser vista de maneira desconectada dos problemas sociais e ambientais, formando uma política integrada. Dilma, em parte, discorda: “Diante da crise, não pode ficar com teorias. A gente tem de ter propostas concretas e agir. Aumentamos os empregos, colocamos de forma muito generosa recursos para as empresas privadas manterem seus empregos. O Brasil foi o último país a entrar na crise e o primeiro a sair”. 

Com o fim do horário eleitoral, essa foi a última oportunidade de apresentação conjunta de ideias nesta campanha. Os candidatos ainda cumprem agenda nesta sexta-feira. No sábado, devido às restrições impostas pela lei eleitoral, devem fazer apenas caminhadas entre os eleitores, mas sem mensagens à população.