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Brasil pode cooperar no processo de paz no Oriente Médio, diz Patriota

por Renata Giraldi, da Agência Brasil publicado , última modificação 14/10/2012 16h42

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, colocou hoje (14) o Brasil à disposição para mediar a paz no Oriente Médio durante reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres. Patriota argumentou que o Brasil é um país sem inimigos, portanto em condições de colaborar com as negociações para o fim do conflito. Ele reiterou sua esperança em verificar o "progresso mais rápido do processo de paz entre palestinos e israelenses".

Patriota lembrou o “peso econômico” do Brasil e o fato de este manter “relações amigáveis com todos os membros das Nações Unidas” e de não ter inimigos.“Talvez estejamos em uma posição única para ouvir todos os lados e participarmos nos esforços de paz”, disse o chanceler.

Durante a reunião, Peres disse que o Brasil deve boicotar o governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. “Esperamos que o Brasil boicote futuros encontros com Ahmadinejad”, disse Peres, em comunicado oficial.

Na agenda do chanceler também havia reuniões com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e os ministros Avigdor Lieberman (Relações Exteriores de Israel), Dan Meridor (Inteligência e Energia Atômica) e Daniel Hershkowitz (Ciência e Tecnologia).

De Tel Aviv, Patriota segue para Ramalah, na Palestina, para uma série de reuniões políticas e econômicas.

O governo do Brasil é favorável à criação de um Estado da Palestina autônomo e independente. Para as autoridades brasileiras, as negociações entre ambas as partes devem ser conduzidas sem ameaças à segurança na região. Nos seus discursos, a presidenta Dilma Rousseff ratifica que o reconhecimento da Palestina é a única solução de paz entre israelenses e palestinos.

As relações econômicas entre Brasil e Israel tem sido ampliadas a partir do acordo de livre comércio (do Mercosul com Israel), em vigor desde 2010. De 2002 a 2011, o intercâmbio comercial aumentou 215%, passando de US$ 445 milhões para US$ 1,4 bilhão.

Em Ramalah, na Cisjordânia, Patriota deve mencionar amanhã (15) a defesa do governo brasileiro na promoção do desarmamento nuclear e da não proliferação de armas nucleares. O Brasil defende a criação de uma zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio. Ele tem reuniões com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, com o primeiro-ministro Salam Fayyad, além de várias autoridades palestinas.

As reuniões incluem conversas com o ministro Riad Malki (Relações Exteriores) e o negociador chefe da Organização para Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat. Será a primeira visita de um chanceler brasileiro desde o reconhecimento, pelo Brasil, da Palestina como Estado, em dezembro de 2010.

Também estão em pauta projetos de cooperação em áreas como saúde, urbanismo e agricultura.

As relações econômicas entre Brasil e Palestina têm potencial de crescimento, segundo o Ministério das Relações Exteriores, registrando um intercâmbio comercial de US$ 15,8 milhões em 2011 (primeiro ano de registro) e US$ 10,6 milhões no primeiro semestre de 2012. Há um acordo de livre comércio Mercosul-Palestina, firmado em 2011, possibilitará o fortalecimento dessas relações.

*Com informações da agência estatal de notícias de Cuba, Prensa Latina, e da agência pública de notícias de Portugal, Lusa