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Ministro italiano pressiona Lula por extradição de Battisti

por James Mackenzie publicado 30/12/2010 15h18, última modificação 30/12/2010 15h18 © Thomson Reuters 2010. All rights reserved.

Lula prometeu decisão sobre Battisti para esta quinta-feira (Foto: Sérgio Moraes/Reuters-Arquivo)

Roma - O ministro italiano da Defesa, Ignazio La Russa, declarou que as relações do país com o Brasil ficariam seriamente abaladas se o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti não for extraditado por ter sido condenado na Itália por assassinato nos anos 1970. Integrante da ala direitista do governista partido Povo da Liberdade, o representante do governo é considerado próximo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, mas não está claro o quanto suas opiniões refletem a atual política governamental.

"Ninguém deveria imaginar que um 'não' à extradição de Cesare Battisti não teria consequências", disse La Russa ao diário Corriere della Sera, em entrevista publicada nesta quinta-feira (30). "Eu consideraria isso um grande dano às relações bilaterais."

A imprensa brasileira informou na quarta-feira (29) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia decidido não extraditar Battisti. Em café da manhã com jornalistas, Lula declarou que pretendia resolver o caso antes do fim de seu mandato. O governo ainda não se pronunciou sobre o caso. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou no ano passado que Battisti deveria ser extraditado.

Mas a decisão final cabe a Lula, que concedeu a Battisti o status de refugiado em 2009 e encerra seu segundo mandato na Presidência em 1º de janeiro. No começo da semana Lula disse que tomaria uma decisão até sexta-feira. Seus assessores afirmaram na quarta-feira que não havia ainda nenhuma decisão formal.

Battisti foi condenado em seu país por assassinatos cometidos na Itália na década de 1970, quando grupos radicais de extrema esquerda promoveram uma campanha de sequestros e assassinatos. Ele nega as acusações e diz que está sendo politicamente perseguido na Itália. Em 1981, o ativista fugiu de uma prisão italiana e viveu muitos anos na França, mas deixou o país quando o governo francês aprovou sua extradição, em 2006. Ele foi preso depois no Brasil.

"Até onde eu sei, estou pronto para adotar outras iniciativas", declarou La Russa. Ele não deu nenhum exemplo concreto, mas disse que estaria preparado para dar apoio a boicotes não especificados contra o Brasil. Um acordo de cooperação militar com o Brasil, prestes a ser aprovado pelo Parlamento italiano em 11 de janeiro, está muito avançado para ser afetado, segundo o ministro.

Fonte: Reuters

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