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No Haiti, governo admite surto de cólera

por Redação da RBA publicado , última modificação 22/10/2010 13h20

Surto de coléra já matou 138 haitianos (Foto: Joel Trimble/Reuters/Arquivo)

São Paulo - O presidente do Haiti, René Préval, confirmou nesta sexta-feira (22) que um surto de cólera matou pelo menos 138 pessoas na região central do país, na maior crise sanitária desde o terremoto devastador de janeiro. De acordo com o governo haitiano, mais de 1,5 mil pessoas apresentaram sintomas da doença, como forte diarreia, febre alta e vômitos.

"Posso confirmar que é cólera", disse Préval à agência Reuters. É a primeira epidemia de cólera no Haiti em um século, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS). As autoridades haitianas do setor de saúde e entidades internacionais estão se empenhando para lidar com a pior crise desde o tremor que devastou o país, o mais pobre do continente.

Os casos estão concentrados na região de Artibonite, ao norte da capital Porto Príncipe. O cólera é uma infecção intestinal provocada por uma bactéria transmitida por meio de água ou comida contaminada. A doença provoca diarreia e vômitos, levando à desidratação severa, e pode matar rapidamente se não for tratada. O tratamento é feito por meio de reidratação e antibióticos.

"Agora estamos nos certificando de que as pessoas estejam plenamente informadas sobre as medidas preventivas que devem adotar para evitar a contaminação", disse Préval, depois de se reunir com autoridades governamentais do setor de saúde. Os sanitaristas estavam aguardando os resultados finais de exames de laboratório para determinar a causa de um repentino surto de diarreia aguda.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) enviou duas equipes para o sul da região de Artibonite. Enquanto aguardam os resultados dos testes laboratoriais, o órgão e o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) atribuem as mortes à diarreia aguda.

Os hospitais no entorno da cidade de Saint-Marc, a cerca de 100 quilômetros de Porto Príncipe, estão lotados com pessoas procurando por atendimento. Em alguns deles, os pacientes têm sido atendidos nos estacionamentos por falta de leitos ou são transferidos para hospitais em outras regiões.

A possibilidade de uma epidemia de cólera era um dos temores gerados após o terremoto que atingiu o país em janeiro deste ano e provocou a morte de cerca de 250 mil pessoas, além de deixar 1,5 milhão de desabrigados.

Muitos ainda vivem em campos improvisados, sob condições sanitárias precárias e com pouco acesso à água potável. O departamento de Artibonite não foi tão atingido pelo terremoto, mas milhares de pessoas que perderam suas casas nas áreas atingidas migraram para a região.

Equipes médicas que ainda estão no Haiti para a operação de ajuda pós-terremoto foram enviadas à região do surto, ao redor da localidade de Saint-Marc, uma zona agrícola que recebeu muitos sobreviventes do terremoto.

O chefe do Departamento de Saúde do governo, Gabriel Thimote, disse que as vítimas são de várias idades, mas jovens e velhos aparentemente são mais afetados. Segundo Thimote, não há por enquanto relatos de casos de diarreia em Porto Príncipe.

Especialistas dizem que até 80 por cento dos casos de cólera podem ser tratados satisfatoriamente com sais orais de re-hidratação. Água limpa e saneamento básico são cruciais para reduzir o impacto do cólera e de outras doenças transmitidas pela água.

Com informações da Reuters e Agência Brasil

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