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Mercosul integra jovens universitários às discussões sobre o futuro imediato do bloco

por Luiz Antônio Alves, da Agência Brasil publicado 09/09/2010 12h51, última modificação 09/09/2010 12h54

 Buenos Aires - Além de aprofundar permanentes discussões e de concretizar iniciativas práticas que aceleram a integração econômica, os quatro países que formam o Mercosul – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – estão analisando propostas para o futuro imediato do bloco regional por meio do Fórum Universitário do Mercosul (FoMerco). Reunido na capital argentina, o fórum debate políticas de integração produtiva e financeira do Mercosul e da América Latina, a cidadania regional e a participação política, os direitos humanos no continente e as políticas públicas.

Presidido pelo brasileiro Gisálio Cerqueira Filho, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o fórum é uma rede formada por 44 universidades públicas e privadas do Brasil, do Uruguai, da Argentina e do Paraguai dedicadas a estudar a integração e a emancipação latino-americanas, com ênfase no Mercosul. O encontro que ocorre em Buenos Aires recebeu o apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), da embaixada do Brasil e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva do governo argentino.

Cerqueira Filho disse que a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), sediada em Foz do Iguaçu (PR), integrou-se no ano passado à rede e patrocinou o encontro internacional de 2009 reunindo professores e estudantes próximo à área da Itaipu Binacional, empresa brasileira e paraguaia que desde 1974 administra uma das maiores hidrelétricas do mundo.

Cerqueira Filho acredita que os jovens estudantes de todas as áreas devem ser motivados a integrar-se aos temas que envolvem o Mercosul. "Eu diria que o alvo do FoMerco, neste momento, são os jovens do bloco. Em boa hora o governo brasileiro lançou as bolsas de pesquisa denominadas (Programa de Iniciação Científica Júnior) Pibic Jr, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Há inúmeros alunos jovens que têm interesse em viajar pelos países da América Latina, em trocar experiências. Se queremos promover a integração do Mercosul devemos também mirar o futuro."

Segundo o presidente da FoMerco, as bolsas de pesquisa do programa Pibic Jr, destinadas a despertar a vocação científica e a incentivar talentos potenciais entre estudantes de graduação, poderiam ser direcionadas a outras áreas. "No momento, queremos fazer com que uma das temáticas centrais do Pibic Jr. seja a integração latino-americana entre jovens na faixa de idade de 16 a 18 anos, que estão saindo do ensino médio, sob a orientação de um professor mais experiente."

Cerqueira Filho disse que nas universidades do Mercosul existem centros de excelência e programas de pós-graduação nos quais o tema da integração latino-americana é o foco. "Na Universidade Federal Fluminense, por exemplo, essas pesquisas, estudos e debates se realizam e promovemos o vínculo entre alunos da graduação, de mestrado e de doutorado. Agora, estamos chamando alunos do final do ensino médio para se integrarem ao grupo."

O objetivo dessa iniciativa é permitir a interação que já existe, por exemplo, na música. Segundo Cerqueira Filho, na UniRio existe a chamada Universidade Portátil da Música. "Aos sábados, o dia inteiro, os jovens se reúnem para tocar chorinho. O nosso ideal é fazer com que num fórum que não seja precisamente o de música, mas de reflexão sobre o Mercosul e a América Latina, possamos também reunir jovens de todas as idades".