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Honduras: movimentos esperam reabertura de emissoras com fim de estado de sítio

Regime golpista cede a pressões de comunidade internacional, Congresso, Judiciário e empresários locais
por Redação da RBA publicado , última modificação 05/10/2009 18h56
Regime golpista cede a pressões de comunidade internacional, Congresso, Judiciário e empresários locais

O golpista Roberto Micheletti declarou que "ainda não há uma decisão séria e forte" sobre a saída para a crise (Foto: Henry Romero. Reuters)

O regime golpista de Honduras finalmente cedeu às pressões e derrubou nesta segunda-feira (5) os decretos que suspendiam direitos constitucionais e os direitos de manifestação popular. A decisão foi tomada durante a reunião de Conselho de Ministros e já era esperada depois de declarações do líder golpista Roberto Micheletti.

Os direitos estavam suspensos desde o retorno ao país do presidente legítimo, Manuel Zelaya, abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Com o decreto, o regime aumentou a repressão contra manifestações populares e fechou uma emissora de rádio e uma TV. A expectativa dos movimentos sociais é saber se a Rádio Globo e o Canal 36, de oposição ao golpe, receberão de volta seus equipamentos para que possam transmitir normalmente. Os demais veículos são controlados ou afins ao governo, restringindo informações.

Esta semana, Honduras tem a chegada da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que tentará negociar o fim da crise, com a recondução de Zelaya ao cargo. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral hondurenho havia colocado em dúvida a possibilidade de realizar as eleições presidenciais marcadas para novembro se o estado de sítio não fosse rapidamente levantado. E, por fim, corre o prazo extraoficial dado pelos Estados Unidos para que se chegue a uma solução.

Antes mesmo da derrubada do decreto, o presidente deposto, Manuel Zelaya, havia colocado em dúvida se a atitude colocará fim à repressão promovida pelas forças armadas.

A Frente de Resistência ao Golpe manifestou que mantém a mobilização e quer a convocação de uma assembleia constituinte, promessa do governo legítimo. Além disso, os movimentos de oposição ao golpe esperam a revogação de dezenas de prisões ilegais realizadas nas últimas semanas.

No domingo (4), Zelaya manifestou em conversa telefônica com os integrantes da frente que a vitória está próxima. Ao mesmo tempo, ele afirma aceitar o Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que prevê o retorno de Zelaya ao poder com algumas restrições, como a promessa de que não tentará a reeleição. O deposto afirmou mais de uma vez que aceita ser submetido a julgamento pelas acusações formuladas desde o golpe, com a única condição de que se garanta um júri isento.

Por outro lado, Micheletti atribui ao Judiciário o retorno de Zelaya ao poder, ao mesmo tempo em que afirma que 90% dos hondurenhos são contra a volta – o golpista não explica, no entanto, de onde saíram os números.

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