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Queda de braço entre governo e Fifa virou atrito pessoal, diz Comitê Popular

Mesmo com pedido de desculpas de Jéròme Valcke, Ministério do Esporte divulga nota reiterando que não trabalhará mais com o interlocutor da Fifa
por raoniscan publicado 05/03/2012 19h03, última modificação 06/03/2012 01h09
Mesmo com pedido de desculpas de Jéròme Valcke, Ministério do Esporte divulga nota reiterando que não trabalhará mais com o interlocutor da Fifa

São Paulo – Em meio à troca de farpas entre o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, e membros do governo brasileiro, principalmente o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o que parecia ser um desgaste de relações institucionais não passará de um atrito pessoal, que não afetará os interesses em comum da entidade máxima do futebol e do governo brasileiro. É o que garante o membro da articulação nacional dos comitês populares da Copa Thiago Hoshino.

"Não existem interesses contrários, existem atritos com quem negociar. Da mesma forma que a Fifa impôs represália ao ex-ministro do Esporte Orlando Silva – que já deixou o ministério após denúncias de corrupção –, agora o Brasil está devolvendo a bola e fazendo essa retaliação”, afirmou Hoshino. 

Depois de Valcke dizer que o governo brasileiro precisava de “um chute no traseiro”, em referência à demora para aprovação da Lei Geral da Copa, Rebelo respondeu à altura no sábado (3), afirmando que o governo brasileiro não tratará mais com o secretário-geral. Em uma tréplica, Valcke disse que a postura de Rebelo é infantil, mas depois tentou se retratar, afirmando que suas palavras foram mal interpretadas, e que o Brasil é a única opção da Fifa para a realização da Copa.

O Ministério do Esporte pareceu não aceitar as desculpas e para finalizar o assunto divulgou uma nota hoje (5) reiterando o rompimento com Valcke. “A forma e o conteúdo das declarações (de Valcke) escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmônica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a Fifa", diz o documento.

Afirmando que a “queda de braço entre o governo e a Fifa se transforma cada vez mais em um grande aperto de mão”, Hoshino enxerga na realização da Copa do Mundo em 2014 uma convergência de interesses entre ambas as partes, que neste momento não está colocado em questão. “Nenhum dos lado está disposto a abrir mão do modelo de gestão empresarial dos grandes eventos”, garantiu.

O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, fez coro a Rebelo e garantiu que “o interlocutor já está riscado. Esse cara é um vagabundo!”. Já o presidente da Comissão Especial da Lei Geral da Copa da Câmara dos Deputados, Renan Filho, classificou as declarações do secretário-geral como “insultuosas, descuidadas e inapropriadas”.

Lei Geral da Copa

A crise com Valcke teve início depois de uma série de cobranças públicas do interlocutor para a rápida aprovação do projeto de Lei Geral da Copa (Projeto de Lei 2.330, de 2011). A iniciativa prevê, entre outros pontos, garantias comerciais à Fifa e suas parceiras. “Se a Fifa não conseguir alterar a Legislação brasileira, significa uma perda importante de seus lucros nos jogos que dizem respeito a exclusividade comercial”, observa Hoshino.

Prevista para ser votada amanhã (6), a Lei Geral também trata de assuntos polêmicos como o preço dos ingressos, responsabilidades das intercorrências durante o evento e a possibilidade ou não da venda de bebidas alcoólicas no interior dos estádios que receberão as partidas.