História

Líder do CGT completa 100 anos, e centrais destacam movimentos que garantiram direitos

Para sindicalistas, Riani contribuiu para abrir caminho na luta pelo “desenvolvimento econômico e civilizatório”

Reprodução Facebook
Com João Goulart e movimento pelo CGT, criado em 1962 e extinto em 1964, Riani teve participação sindical e política ativa

São Paulo – Líder sindical remanescente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), organização criada em agosto de 1962 e dissolvida após o golpe de 1964, Clodesmidt Riani completa 100 anos nesta quinta-feira (15). Ele está recuperado de infecção pela covid-19, que o deixou internado durante 10 dias em Juiz de Fora (MG), onde mora desde os 6 anos – nasceu em Rio Casca.

Para marcar a data, as centrais sindicais publicaram um artigo em sua homenagem. A TVT transmitirá às 17h30 o documentário Trajetória – Clodesmitd Riani, de Adriano Medeiros e Aline Moura. Além disso, no próximo dia 29, às 19h, as entidades farão um debate virtual sobre a história do sindicalismo e do CGT. Formada por sindicalistas ligados ao PTB e ao PCB, a entidade apoiou o governo João Goulart.

Riani mora com uma das filhas, no centro da cidade mineira. Teve 10 filhos, dois dos quais faleceram, 20 netos e 25 bisnetos. Por causa da pandemia, não haverá comemoração. Homenagens públicas tiveram de ser suspensas.

Transformações no país

“Os últimos 100 anos foram, pode-se dizer, de construção de um país urbano e industrial. E para Riani, estas transformações não foram apenas presenciadas. Foram, em muitos casos, resultados de ações nas quais o sindicalista esteve diretamente envolvido”, afirmam as centrais. “Se Orlando, seu pai, amargou anos de trabalho sem os direitos previstos na CLT, o próprio Clodesmidt só viria a conhecê-la dez anos depois do ano em que começou a trabalhar numa fábrica de tecidos.”

A Consolidação das Leis do Trabalho foi criada em 1943. As centrais citam ainda “a conquista e a universalização do salário mínimo, a Greve dos 300 mil, em 1953, o CGT, a lei do 13º salário”. Além da resistência à ditadura, o processo de redemocratização e a construção da Constituição “cidadã” de 1988. Todos esses fatores, mais “o amadurecimento dos sindicatos e das centrais sindicais brasileiras, separam o trabalhador de hoje do de cem anos atrás”, lembram os dirigentes atuais.

Riani, PTB, Vargas, Jango

No texto, eles lembram ainda da entrada do líder do CGT no “PTB de Vargas e de Jango”, em 1950, pelo qual se elegeu deputado estadual. No sindicalismo, antes do CGT (“embrião das centrais sindicais contemporâneas”), comandou a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI). Depois de 1964, foi cassado e preso. “Mas ele não poderia estar de outro lado que não o daqueles que sofreram as agruras do golpe, assim como Gregório Bezerra, Hércules Correia, Afonso Dellelis, o ferroviário Raphael Martinelli, seu amigo do CGT, a tecelã Maria Sallas Dib, entre tantos outros.”

Para os sindicalistas, Riani participou de eventos “que não só tornaram o sindicalismo mais politizado, como deu força para que o movimento passasse a intervir diretamente na política”. Além disso, abriu o caminho para o esforço coletivo por mudanças no Brasil. “Embora a desigualdade social seja ainda um entrave para o desenvolvimento econômico e civilizatório do país, a situação atual da classe trabalhadora não se compara à miséria a que estava submetida até a década de 1930.”