Memória

Raphael Martinelli, história do sindicalismo e da política

Líder ferroviário, dirigente sindical e criador da Ação Libertadora Nacional (ALN) morreu neste domingo (16), aos 95 anos

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Martinelli com a filha Rosa: histórias de um eterno militante

São Paulo – A trajetória de Raphael Martinelli confunde-se com a história do movimento operário e da política no Brasil. Líder ferroviário, dirigente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), criador da Ação Libertadora Nacional (ALN), entre tantas atividades, o paulistano da Lapa morreu neste domingo (16), aos 95 anos, em consequência de câncer, mas manteve-se na ativa até o último instante, sempre preocupado com os rumos do país – e para sempre rebelde: ultimamente, integrava o Núcleo dos Irredentos.

Ele também foi um dos fundadores do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Também ajudou a criar o Núcleo de Preservação da Memória Política. Ele era o penúltimo remanescente do CGT, principal entidade sindical da primeira metade dos anos 1960, atuante até o golpe de 1964. O comandante Paulo de Mello Bastos morreu no ano passado.  Agora, fica o eletricitário e ex-deputado mineiro Clodsmidt Riani.

Martinelli começou a trabalhar ainda criança, nos anos 1930, em fábrica de anilina, vidraria, como ajudante de ferreiro, até que chegou, em 1941, à São Paulo Railway, tornando-se para sempre ferroviário e um dos principais líderes de sua categoria. Também teve ativa militância política, no Partido Comunista e depois na ALN de Carlos Marighella, já no período da ditadura. Suas muitas histórias estão narrados no livro Estações de Ferro, do jornalista Roberto Gicello Bastos, lançado em 2014.

“Chegou a ultima estação pro velho ferroviário”, escreveu o ex-metalúrgico Sebastião Neto, coordenador do IIEP – Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas. Foi uma das várias homenagens prestadas a Martinelli.

O sepultamento foi no início da tarde desta segunda (17), no Cemitério Freguesia do Ó, na zona noroeste da capital paulista. 

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