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Avança precarização

Latam demite 1,3 mil trabalhadores e anuncia terceirização de serviços

Empresa anuncia a terceirização de três setores dos aeroportos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Sindicato denuncia risco na segurança aérea com a precarização das condições de trabalho
Publicado por Vanessa Ramos, da CUT São Paulo
09:03
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Tania Rego EBC/Reprodução
Demissões Latam

Em nota à CUT São Paulo, Latam afirma que as mudanças estão previstas para a primeira semana de setembro

CUT – A Latam Airlines anunciou nesta segunda-feira (20) que irá demitir aproximadamente 1,3 mil trabalhadores e trabalhadoras e substituirá a força de trabalho direta por terceirizados. A medida atingirá o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro.

Os setores de rampa e limpeza (ground handling), de gestão de equipamentos de solo (exceto aeronaves), e de atendimento a clientes com bagagens perdidas ou danificadas (lost luggage) passarão a ser responsabilidade da prestadora de serviços Orbital/WFS, que já assinou contrato. 

Em nota à CUT São Paulo nesta terça-feira (21), a Latam, resultado da fusão entre a chilena LAN e a brasileira TAM, afirma que as mudanças estão previstas para a primeira semana de setembro.

Para o presidente do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindigru), Rodrigo Maciel, a previsão de demissão em massa anunciada pela empresa é resultado da reforma trabalhista, em vigor desde novembro de 2017, que retirou uma série de direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“Estamos assistindo a aplicação de uma lei cruel para a classe trabalhadora implementada por este governo ilegítimo de Temer e seus apoiadores”, critica o dirigente.

Segundo Maciel, a Latam, maior grupo de transporte aéreo da América Latina, caminha na contramão da garantia de segurança no setor e do respeito aos direitos dos trabalhadores

“Toda a estratégia de terceirização da empresa para reduzir custo por meio da força de trabalho e da precarização das condições trabalhistas irá impactar diretamente na qualidade dos serviços para a sociedade e pode colocar em risco até mesmo a segurança de voo”, denuncia o presidente do Sindigru.

Roberto Parizotti CUT/ReprodçãoMaciel Sindigru
Para Maciel, presidente do Sindigru, as terceirizações representam um equívoco da Latam

A terceirização, além de significar o rebaixamento de direitos dos trabalhadores, não terá uma gestão direta, avalia o dirigente. “Isso é perigoso, pois na aviação algumas decisões precisam ser rápidas, não podem demorar devido à complexidade do setor.”.  

O anúncio das mil demissões em Guarulhos foi feito ao sindicato na segunda-feira, após a pressão da categoria que, no sábado (18), realizou mobilizações no aeroporto para cobrar um posicionamento da empresa. No Rio de Janeiro, o corte atingirá 350 trabalhadores e trabalhadoras, que também estão mobilizados para evitar o desemprego e a precarização do trabalho.

Com data-base em 1º de dezembro, o sindicato deve intensificar suas ações a partir de agora, anuncia Maciel. A entidade irá protocolar a pauta dos trabalhadores até a primeira quinzena de setembro. Em outubro, terão início as negociações da Campanha Salarial. 

Confira a nota da Latam, enviada à CUT São Paulo, nesta terça-feira (21):

A Latam Airlines Brasil informa que, a partir da primeira semana de setembro, toda a sua operação de rampa e limpeza (ground handling), gestão de equipamentos de solo (GSE) e atendimento a clientes com bagagens perdidas ou danificadas (Lost Luggage) no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e do Galeão, no Rio de Janeiro, passará a ser feita pela Orbital – WFS, empresa especialista nesta modalidade de serviços aeroportuários.

A Latam estabeleceu um sistema de gestão integrado com a Orbital – WFS para assegurar a eficiência e a manutenção da qualidade dos serviços prestados. A companhia também abriu um processo de negociação com os sindicatos envolvidos e não está medindo esforços para realocar internamente o maior número possível de pessoas. A medida não afeta outros aeroportos.

Ouça depoimento do presidente do Sindigru/CUT, Rodrigo Maciel