História

Aos 95 anos, Sindicato dos Bancários de SP prepara campanha por preservação de direitos

Perto de completar um século e em um momento crítico para os trabalhadores, um dos principais sindicatos do país tem como trunfo histórico de resistência e conquistas

Seeb-SP
Sindicato dos bancários

Na luta pela democracia, bancários foram ativos nas manifestações contra a mudança das leis trabalhistas

São Paulo – O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região comemora 95 anos de existência nesta segunda-feira (16). A data é celebrada em meio a um dos mais graves momentos da história brasileira recente, fato que reforça a importância da união entre trabalhadores e sua entidade representativa. “É isso que nos mantém fortes e vigorosos, aos 95 anos”, afirma a presidenta da entidade, Ivone Silva. “Estamos chegando a quase um século, com energia de 20.”

Para ela, essa energia que nasce da mobilização dos trabalhadores é mais essencial do que nunca no atual contexto da vida política do país. “Desde o golpe, os trabalhadores só perdem e precisamos estar firmes e fortes, focados numa forte reação contra essas perdas”, reforça Ivone. “Nossa campanha nacional unificada 2018 começa em junho e vamos buscar não apenas manter os direitos previstos na nossa CCT (convenção coletiva de trabalho), mas conquistar mais, inclusive aumento real, já que os bancos continuam ganhando como sempre”, afirma.

A presidenta destaca que os 95 anos de fundação do sindicato são marcados pela luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos direitos de cidadania e pela defesa da democracia no país. Como exemplo de vitórias obtidas, lembra que a jornada de seis horas para a categoria foi a primeira conquista, quando o sindicato tinha apenas 10 anos de existência.

Atualmente, a convenção coletiva da categoria conta com mais de 70 cláusulas, que garantem aos funcionários de bancos públicos e privados vales alimentação, refeição, 13ª cesta básica, auxílio-creche/babá, complementação salarial aos afastados por doença, auxílio para requalificação profissional, entre outros direitos.

Os bancários foram a primeira categoria a ter garantido em acordo o direito à participação nos lucros ou resultados (PLR), a promoção da igualdade de oportunidades, a licença-maternidade de 180 dias, paternidade de 20 dias, um instrumento de combate ao assédio moral e centros de realocação e requalificação profissional nos bancos, com o objetivo de evitar demissões.

“E tudo isso, sem esquecer a luta pela democracia, fundamental para recuperarmos nossos direitos, não só os trabalhistas, mas também os investimentos em saúde, educação, o direito à aposentadoria, às eleições. Só assim os trabalhadores voltarão a ter tranquilidade em relação aos seus empregos e seus direitos”, acrescenta Ivone.

“Desde 2004 até 2017, a mobilização dos bancários ao lado do Sindicato garantiu aumentos salariais acima da inflação, garantindo ganho real de 20,26%. No piso, esse aumento foi ainda maior, 41,6%. Assim como nos vales refeição, 35,4% e alimentação, 36,9%”, lembra a presidenta do sindicato. “Em 2016, nossa luta garantiu acordo de dois anos que permitiu aos bancários ter aumento real de 1% e manter todos os direitos, mesmo com o desmonte trabalhista de Temer aprovado em julho (do ano passado).”

 

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