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Um dia após superar 10 milhões de casos, Brasil tem mais 1.308 mortes por covid-19 em 24 horas

Enquanto a vacinação contra a covid caminha com passos lentos no Brasil, a única saída efetiva continua o isolamento social

Mateus Pereira/GOVBA
Brasil é o segundo país com mais mortos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Isso, sem contar com ampla subnotificação, já que o país é um dos que menos testa da comunidade internacional

São Paulo – O Brasil registrou hoje (19) mais 1.308 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Com o avanço, são 244.765 vítimas do novo coronavírus desde o início do surto no país, em março. Após 11 meses de pandemia decretada pela Organização Mundial da Saúde, o Brasil soma 10.081.676 infectados de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Também hoje, foram 51.050 novos casos confirmados.

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Um dia após superar a marca de 10 milhões de casos registrados, a média de mortes diárias, calculada em um intervalo de sete dias, está acima de mil. Essa alta incidência diária de óbitos se mantém desde o dia 21 de janeiro. As curvas epidemiológicas de casos e mortes revelam uma epidemia fora de controle e com intensa elevação a partir de novembro do ano passado. Festas de fim de ano contribuíram para a ampliação do cenário trágico e a consolidação de uma “segunda onda”; mesmo sem a superação efetiva de uma primeira.

Curvas epidemiológicas de casos e mortes por covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Desdém

O Brasil é o segundo país com mais mortos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Isso, sem contar com ampla subnotificação, já que o país é um dos que menos testa da comunidade internacional. O descontrole da pandemia também é reflexo do desdém do poder público em controlar o vírus. Desde o início da pandemia o governo federal, do presidente Jair Bolsonaro, pouco ou nada fez. Ao contrário, o presidente espalhou desinformação, inclusive sobre vacinas, e minimizou os efeitos da covid-19. Hoje, a pandemia se revela a maior crise sanitária da humanidade em mais de 100 anos.

De um lado, o Brasil vive um momento delicado do surto. Aglomerações observadas durante o período de Carnaval, mesmo que o feriado tenha sido cancelado, podem levar a uma nova escalada de casos e mortes nas próximas semanas. De outro, países que enfrentam a pandemia com mais rigidez vivem dias melhores.

A Europa atravessa, nas últimas semanas, um momento de surto sob controle. Com taxas de transmissões reduzidas, já são mais de 15 dias de queda nos indicadores de mortes e novos casos. “As novas mortes também recuaram pela terceira semana consecutiva no continente. “Quando os casos de covid-19 estão em seus níveis mais reduzidos em vários países, como é o caso agora, as autoridades de saúde têm a possibilidade de se concentrar em avaliar e melhorar suas respostas à pandemia”, avaliou hoje o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) da Europa, Hans Kluge.

Imunização e isolamento

Parte do recuo da covid-19 em alguns países já evidenciam a eficácia do processo de vacinação. Em Israel, país que conta com mais de 70% da população recebido pelo menos uma dose da vacina, vê o surto se esvair. Entre os idosos, as taxas de internação por covid-19 despencaram nas últimas semanas. De acordo com balanço local do dia 13 de fevereiro, as internações de idosos acima de 85 anos havia recuado em 45%.

Enquanto a vacinação caminha com passos lentos no Brasil, a única saída efetiva continua o isolamento social. Cidades mais afetadas devem adotar medidas rígidas para garantir a capacidade de atendimento da população no sistema de Saúde.

O epidemiologista brasileiro Diego Bassani, que atua como cientista na escola de medicina Temerty, do Canadá, divulgou um estudo realizado pela instituição sobre isolamento social. Os dados apontam para a eficácia inegável das medidas de distanciamento. As medidas de combate ao coronavírus resultaram, no país, em uma queda brusca de outras doenças respiratórias e intestinais. Vírus sazonais comuns, como o da Influenza, praticamente foram zerados de acordo com o estudo. “O que aconteceu com outros vírus, especialmente respiratórios, é incrível”, disse.

Curva epidemiológica de casos de influenza no Canadá. Isolamento social resultou em drástica redução na circulação do vírus que provoca gripe comum