tragédia diária

Pandemia sem controle: Brasil ultrapassa 85 mil mortes pela covid-19

País é o epicentro da pandemia do novo coronavírus e registra a maior média diária de mortos pela covid-19 em todo o mundo

Marcio James / Semcom
Pandemia segue descontrolada no Brasil, com taxa de transmissão acima do aceitável por órgãos de saúde

São Paulo – Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou mais 1.156 mortes causadas pela covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus. Com isso, o país já soma 85.238 vítimas desde o início do surto, em março. Já o número de doentes segue em crescimento. Foram 55.891 novos casos no período, totalizando 2.343.366, de acordo com o levantamento do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

O Brasil é o epicentro da pandemia do novo coronavírus e registra a maior média diária de mortos pela covid-19 em todo o mundo. Em números globais, o país é o segundo mais afetado pelo vírus, atrás apenas dos Estados Unidos.

Entretanto, os Estados Unidos aplicam muito mais testes à população que o Brasil. Naquele país, a cada teste positivo, cerca de 120 outros dão negativos. Enquanto isso, o Brasil detecta quatro negativos para um positivo – ou seja, testes têm sido aplicados em sua maioria já em casos mais graves. Em regiões mais afastadas, o número é ainda menor.

O continente que lidera o contágio no mundo é a América Latina. Apenas Chile e Bolívia registraram, nas duas últimas semanas, retração na pandemia. Entretanto, o cenário é muito mais difícil no Brasil, em comparação com qualquer outro vizinho. Os 11 países que compõem o continente possuem, juntos, pouco mais de 40 mil mortos. O Brasil, sozinho, ultrapassa os 85 mil.

Taxa de transmissão

A América Latina foi uma das últimas regiões a ser atingida pela pandemia no mundo. Enquanto países como Argentina, Uruguai e Cuba realizaram um intenso trabalho preventivo, o Brasil não tomou atitudes. Não providenciou número suficiente de testes e não fez o controle dos contágios.

O resultado é evidente. A Argentina tem 2.702 mortos até aqui. No Uruguai são 34 e em Cuba, 87. O morticínio no Brasil veio acompanhado da indiferença do presidente Jair Bolsonaro, que ridiculariza a doença e não mostra consideração pelas famílias dos mortos. Chegou a dizer que a covid-19 não deixaria mais mortos que o H1N1. No auge da pandemia de H1N1, em um ano (2009), foram pouco mais de 2 mil óbitos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recomendam o relaxamento com a queda da curva epidemiológica. No Brasil, isso nunca aconteceu. O correto, para os cientistas, seria adotar a flexibilização com a taxa de transmissão em 0,5, ou seja, uma pessoa transmite para menos de uma. No Brasil, a taxa nunca passou de 1,1. Já chegou a 4 em alguns momentos em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus.