Colapso

Alta de mortes por doenças respiratórias em Manaus aponta para subnotificação

Em entrevista, prefeito da capital amazonense Arthur Virgílio Neto falou em possibilidade de adoção de lockdown

Divulgação-Prefeitura de Manaus
Pacientes esperam atendimento em hospital de Manaus. Amazonas registra mais de 5 mil casos da doença e tem 94% dos leitos de UTI ocupados

São Paulo – O aumento do número de óbitos decorrentes de doenças respiratórias em Manaus aponta para uma subnotificação dos casos de coronavírus na capital do Amazonas. Foram 1.181 mortes sob essa rubrica nos 28 primeiros dias de abril, contra 174 em igual período de 2019, o que representa uma alta de 578%. O prefeito Arthur Virgílio (PSDB) já fala em intervir com quarentena rigorosa em todas as atividades, o chamado lockdown.

As causas respiratórias foram responsáveis por 50,4% das mortes na cidade. Em 2019, elas responderam por 25,9% do total, de acordo com matéria publicada pelo portal Uol. Mais de 2,4 mil pessoas foram enterradas em Manaus no mês de abril, quase três vezes mais do que em abril do ano passado

Outro fato também chama a atenção em relação à probabilidade de subnotificação dos casos de coronavírus na capital amazonense. Dados oficiais da prefeitura indicam que entre os dias 21 e 28 de abril, foram 118 óbitos em decorrência da covid-19 na cidade, mas 262 pessoas foram enterradas por causa indeterminada nos cemitérios públicos do município.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Amazonas tem a maior taxa de incidência de contaminação pelo novo coronavírus em todo o país. Até quinta-feira (30), são 5.224 casos oficiais confirmados e 425 mortes. O Amazonas tem 94% dos leitos de UTI ocupados.

Lockdown em Manaus

Em entrevista concedida ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira (1º), o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), falou que vai recomendar ao governador Wilson Lima (PSL) que seja implementado o lockdown, caso não aumente a adesão ao isolamento social na capital amazonense.

“Se nada mudar, eu vou recomendar ao governador que decrete a quarentena, o chamado lockdown. Fecha tudo. Radicalizar mesmo. Vamos salvar as pessoas mesmo que elas não queiram ser salvas. Lá na frente, elas vão poder avaliar se tomamos as medidas certas ou não. Mas primeiro elas precisam estar vivas”, afirmou.

Ele voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro, a quem responsabilizou em parte pelos baixos índices de distanciamento social em Manaus. Uma carreata realizada em Manaus contra o isolamento social, em 27 de março, foi celebrada pelo presidente por meio de uma chamada de vídeo no momento em que era realizada.

“Acho que há um fator cultural. Meu secretário de obras anda pelas periferias e ouve as pessoas dizendo que a Covid-19 é doença de rico, que não vai pegar em pobre, no caboclo. Mas elas estão vendo as pessoas morrendo. Outro fator é a pregação do presidente Jair Bolsonaro contra essas medidas. Ele diz que precisamos salvar a economia, mas nunca vi salvar a economia com gente doente. A realidade é que eu fracassei em relação ao distanciamento social.”