Consequências

Grande São Paulo tem 81% das UTIs ocupadas. Isolamento cai e covid-19 cresce

Governo paulista anunciou aumento de 12% no número de mortes e de 11% nos casos confirmados de covid-19 no período de 24 horas. UTIs estão perto do limite. Recomendação é ficar em casa

Amazônia Real
Aumento do número de casos e de mortes pode levar ao colapso dos sistemas de saúde e funerário, como ocorre no Amazonas

São Paulo – O Comitê de Contingência paulista para a pandemia de covid-19 anunciou hoje (28) que 81% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Grande São Paulo estão ocupados. O estado teve aumento de 12% nas mortes e 11% nos casos confirmados de covid-19, em relação a ontem. Foram 224 mortes em 24 horas, maior número diário desde o início da pandemia, chegando a um total de 2.049 óbitos. E 2.300 novos casos confirmados no período, atingindo 24.041.

Para o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, o aumento do número de mortes e casos está diretamente relacionado à queda na adesão da população ao isolamento social. “Não há dúvida que (os resultados de) isolamento social menor são casos a mais. E casos a mais significam óbitos a mais”, afirmou.

Segundo o monitoramento do governo paulista, a adesão ao isolamento social ficou em 48% na última segunda-feira. Nos dias anteriores, a adesão também não foi muito superior a 50%. Índices muito inferiores aos 70% necessários para que haja impacto significativo na proliferação do coronavírus.

“Os nossos números são contundentes. Se você tem um isolamento social de 50% para mais, você tem um impacto na curva de infectados, de doentes e de óbitos. A menos, é muito difícil. Esta equação está feita”, explicou o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, David Uip.

A redução do isolamento e o aumento do número de infectados já impacta severamente o sistema de saúde da região metropolitana de São Paulo, onde 81% dos leitos de UTI já estão ocupados, em grande medida por casos de covid-19. Na capital paulista, são 70%. Em todo o estado, são quase 62%. Estão internadas em UTI, 3.124 pessoas.

Outras 4.927 pessoas estão internadas em enfermarias, as quais 44,5% estão ocupadas em todo o estado. Na Grande São Paulo, esse número chega 70%.

“Quero reiterar a importância das pessoas continuarem em casa”, reafirmou Uip. O governo paulista considera que a situação torna muito difícil o relaxamento da quarentena previsto para 11 de maio. Inclusive, se os números de hoje se mantiverem, pode ser que a quarentena seja endurecida.

Mortalidade

Entre as vítimas em São Paulo, 1.189 eram homens e 860, mulheres. As mortes continuam concentradas em pacientes com 60 anos ou mais: 74,7% estavam nessa faixa de idade. Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (60,1%), diabetes mellitus (43,6%), doença renal (12,1%), pneumopatia (11,6%), e doença neurológica (11,3%).

Em relação às mortes por faixa etária, a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (521), seguida por 60-69 (453) e 80-89 (408). Também morreram 150 pessoas com mais de 90 anos. Fora desse grupo, há também alta mortalidade entre pessoas de 50 a 59 anos (260 do total), seguida pelas faixas de 40 a 49 (156), 30 a 39 (76), 20 a 29 (17) e 10 a 19 (7), e uma criança com menos de 10.