"Gabinete da "morte"

Vídeo mostra reunião do ‘gabinete paralelo’ contra vacinas e a favor de cloroquina

Imagens, divulgadas pelo jornal “Metrópoles”, mostram deputado federal Osmar Terra sendo tratado como “galo” e “padrinho” por Bolsonaro e participantes, como
a médica Nise Yamaguchi

Reprodução/Jornal Metrópoles
Osmar Terra, chamado de "padrinho", participa de reunião do gabinete paralelo ao lado de Bolsonaro

São Paulo – O jornal Metrópoles divulgou, nesta sexta-feira (4), imagens de reunião do chamado “gabinete paralelo”, um dos principais temas de investigação da CPI da Covid. O encontro, que discutia cloroquina e vacinas, foi comandado pelo presidente Jair Bolsonaro. Nele, confirma-se a participação do deputado federal negacionista Osmar Terra (MDB-RS) como uma espécie de mentor. O vídeo indica que o empresário Arthur Weintraub – ex-assessor especial da Presidência e irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub – era mesmo o coordenador do “gabinete”. A reunião foi realizada em 8 de setembro de 2020, segundo o Metrópoles.

A oncologista Nise Yamaguchi também está no grupo. Em seu depoimento à CPI da Covid, na última terça (1º), ela negou a existência do gabinete paralelo, mas se contradisse ao admitir a existência de um “conselho consultivo independente”, sem vínculo oficial com o Ministério da Saúde. Nas imagens divulgadas pelo Metrópoles, ela se dirige a Osmar Terra dizendo ser “uma honra trabalhar com o senhor neste período”. O deputado é chamado por um participante de “padrinho”. Terra afirma conhecer um “especialista em arritmia cardíaca” que “é o primeiro a dizer que não tem problema usar hidroxicloroquina”.

“Realisticamente”

O virologista Paulo Zanoto é cumprimentado por Bolsonaro com uma continência. Na reunião, ele se dirige a Bolsonaro dizendo ser preciso “extremo cuidado” com as vacinas contra a covid-19. “Não tem condição de qualquer vacina estar realisticamente na fase 3 (…) Com todo respeito, eu acho que a gente tem que ter vacina, ou talvez não”. O jornal lembra que, àquela altura da pandemia no Brasil, os e-mails da Pfizer tentando negociar com o governo contratos de fornecimento de sua vacina não obtinham resposta de nenhuma autoridade do alto escalão do governo Bolsonaro.


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Posteriormente, Zanoto deu entrevistas à imprensa desaconselhando a adoção de vacinação em massa pelo país. Em entrevista à Rede TV em 8 de dezembro, ele foi claro em sua opinião: “Vacinar em massa todo mundo não é uma boa ideia, porque a gente não tem uma ideia muito boa de tudo o que acontece com essas vacinas”.

O vídeo mostra ainda Bolsonaro afirmando ter vetado uma lei que determinava rapidez na atuação de análise de vacinas, mas que seu veto foi derrubado. Porém, como é de seu costume, mentiu. “O que dizia? O que chegasse aqui para combater o coronavírus, a Anvisa tinha 72 horas para liberar (na verdade, o prazo era de cinco dias). Se não liberasse, haveria aprovação tácita. Eu perguntei: ‘Até vacina? Até vacina.'”.  O presidente continua, dizendo que o almirante Barra Torres, presidente da Anvisa “não vai correr (para aprovar vacinas). Não vai ser em 72 horas que ele vai pegar e dizer: está autorizada a distribuição no Brasil”, garantiu o presidente ao gabinete paralelo.

Confira o vídeo da reunião do gabinete paralelo obtido pelo Metrópoles:


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