Irresponsável

CPI da Covid: governo foi ‘negligente e insensível’ ao ignorar vacina da Pfizer, dizem senadores

Presidente regional da Pfizer confirmou que Bolsonaro não respondeu proposta da empresa

Jefferson Rudy/Agência Senado
As propostas da Pfizer, enviadas em agosto pelos seus executivos, garantiam a entrega de 4,5 milhões de doses da vacina entre o final de 2020 e o primeiro trimestre deste ano

São Paulo – O governo de Jair Bolsonaro foi “negligente” e “insensível” ao não responder a oferta de vacina enviada pela Pfizer no ano passado, afirmaram senadores, nesta quinta-feira (13), durante sessão da CPI da Covid. A crítica foi feita após o presidente regional da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmar à comissão que o governo federal ignorou três ofertas apresentadas pela empresa para a aquisição dos imunizantes. As propostas da Pfizer, enviadas em agosto pelos seus executivos, garantiam a entrega de 4,5 milhões de doses da vacina entre o final de 2020 e o primeiro trimestre deste ano.

A omissão do governo federal foi criticada pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Ele lembra que o Brasil começou a vacinar sua população só em janeiro de 2021, quando teria doses já em 2020. “O desinteresse é tão grande que as exigências só foram atendidas porque o Congresso Nacional apresentou um projeto de lei, enquanto o governo Bolsonaro, desde agosto do ano passado, poderia ter ditado uma Medida Provisória. Para mim, é a demonstração cabal da incompetência e insensibilidade do governo para enfrentar a pandemia. Quantas mortes seriam evitadas se a condução fosse adequada?”, questionou, durante a oitiva.

Responsabilidade clara

Em cada uma das tentativas de ofertas, em 2020, foram apresentadas duas propostas: uma de 30 milhões de doses e outra de 70 milhões. Na melhor proposta da Pfizer, em 26 de agosto, havia a entrega prevista de 1,5 milhão de doses de vacina ainda em 2020. Outras 3 milhões de doses do imunizante seriam entregue no primeiro trimestre de 2021.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) endossou a crítica ao governo. Ele também questionou a presença de Bolsonaro em Alagoas, hoje, para a inauguração de uma obra estadual. “Com toda a certeza, o depoimento mostra a negligência e falta de empatia do governo federal. O presidente está em Alagoas, fazendo aglomeração e sem máscara. A responsabilidade do governo ficou clara”, acrescentou Tasso.

Pfizer ignorada

Durante seu depoimento, Murillo confirmou que o presidente mundial da Pfizer, Albert Bourla, enviou carta ao governo brasileiro, em setembro do ano passado. O documento reafirmava as propostas apresentadas até aquele momento, explicitando o interesse da empresa em chegar a um acordo com o governo brasileiro.

A correspondência, que não obteve nenhuma resposta, foi endereçada ao presidente Jair Bolsonaro, ao vice-presidente Hamilton Mourão, ao então chefe da Casa Civil, Braga Neto e a Pazuello. Também constavam como remetentes o ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao embaixador brasileiro em Washington, Nestor Foster.

O presidente regional da Pfizer também contrariou duas versões do governo. A primeira, do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, informava que a empresa ofereceu 6 milhões de doses, mas documentos provaram que foram 70 milhões. Já a segunda trata das condições impostas pela Pfizer para a assinatura do contrato, que o governo brasileiro chamou de “leoninas”. “Não estou de acordo com essa categorização de [que as] condições eram leoninas”, disse, em depoimento à CPI da Covid. Ele acrescentou que as condições eram, em linhas gerais, as mesmas oferecidas para outros 110 países que compraram a vacina, mas com pequenas variações por causa das peculiaridades de cada localidade.


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