Falta de respeito

Arquivamento de processo contra Pazuello ‘é uma afronta’, diz tenente-coronel

“Ampla defesa em um processo administrativo não significa duvidar da inteligência alheia”, diz Adilson Paes, sobre justificativa apresentada por Pazuello ao Exército

Fotos Públicas
Pazuello teve processo arquivado pelo Exército depois de ter participado de ato com o presidente

São Paulo – O arquivamento do processo administrativo contra o general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, anunciando nesta quinta-feira (3) pelo comandante do Exército, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, é uma afronta e uma ofensa moral à sociedade brasileira. Essa é a opinião do tenente-coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo, Adilson Paes de Souza.

Pazuello sofreu uma acusação de transgressão disciplinar, depois de ter participado de um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. Na ocasião, Pazuello subiu em um carro de som no aterro do Flamengo para exaltar Bolsonaro, após passeio de moto do presidente com apoiadores.

A justificativa apresentada por Pazuello foi de que como o presidente Jair Bolsonaro está sem partido, o ato não poderia ser classificado como “político-partidário”.

“É uma afronta (de Pazuello) à inteligência da sociedade brasileira, de todos. Dos políticos do Centrão, que apoiam o Bolsonaro; dos membros do judiciário que ainda apoiam esse governo genocida; do MP que se omite e se acha tão independente; dos militares que acham que estão acima de todos nós. Todos nós fomos ofendidos moralmente com esse tipo de desculpa”, afirmou o tenente-coronel, em entrevista à jornalista Maria Teresa Cruz, no jornal matutino da Rádio Brasil Atual.

:: Exército livra Pazuello de punição por participar de evento político ::

Ampla defesa em um processo administrativo não significa duvidar da inteligência alheia, diz Adilson Paes. “Foi o que aconteceu. Combinou-se um ping pong fajuto, ele disse qualquer coisa, o comandante do Exército apresentou suas razões de qualquer coisa, tudo para atender o chefe Bolsonaro”, afirma.

“Isso é humilhante. Se tivesse um mínimo de plausibilidade em qualquer alegação do acusado Pazuello que pudesse dar margem para interpretação e a motivação do ato administrativo, que é uma punição disciplinar, tudo bem, faz parte do jogo. Mas esse tipo de argumentação esdrúxula sem base nenhuma com a realidade, notoriamente falsa, até os grãos de areia das praias do Rio sabem que é falso”, disse.

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