Linha de frente

Partidos de oposição se unem em novo pedido de impeachment de Bolsonaro

Líderes do PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB e Rede apontam 15 crimes de responsabilidade para justificar o 63º pedido de impeachment de Bolsonaro, tendo como base o colapso na saúde, as mortes por asfixia em Manaus e a violação da dignidade humana pelo presidente

Lula Marques / PT na Câmara
Líderes dos partidos de oposição (PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB e REDE) apresentaram, em conjunto, um novo pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro

São Paulo – Em conjunto, os partidos de oposição ao governo de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional protocolaram, na tarde desta quarta-feira (27), um novo pedido impeachment do presidente da República. O 63º pedido de afastamento apresentado à Câmara dos Deputados aponta 15 crimes cometidos pelo presidente na condução da pandemia da covid-19. No documento, PT, PCdoB, PDT, PSB, PSOL e Rede afirmam que Bolsonaro não garantiu o direito da população à saúde, previsto na Constituição Federal.

Segundo os líderes desses partidos, a mobilização pelo impeachment de Bolsonaro prosseguirá, independentemente do resultado da eleição para novo presidente da Câmara. A votação está marcada para a próxima segunda-feira (1°), em primeiro turno.

:: Clique aqui para ler  a íntegra do pedido de impeachment protocolado pelos partidos de oposição a Bolsonaro no Congresso

As legendas informaram também que estão preparando o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as ações do ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello.

Ao referir às mortes por asfixia em Manaus, o documento lembra que o governo federal havia sido informado com antecedência sobre o estado crítico dos estoques de oxigênio na rede pública da capital amazonense. E que, mesmo tomando ciência da situação, Pazuello nada fez em tempo hábil para impedir o colapso e a tragédia humanitária que se seguiu.

Dignidade violada

Para basear o novo pedido de impeachment de Bolsonaro, os partidos de oposição afirmam que o presidente violou os princípios da dignidade da pessoa humana e da inviolabilidade do direito à vida. “O nosso pedido é baseado fortemente em fatos objetivos, em crimes cometidos por quem governa o Brasil nesse momento. Basta de tanta omissão. Basta de tanto descompromisso com a vida. O que está acontecendo em Manaus não é trivial. É muito grave. Nós nos convencemos de que Bolsonaro precisa ser ‘impichado’ emergencialmente. Seja quem for o presidente da Câmara. A nossa luta não termina segunda-feira. Ela vai prosseguir, nas ruas e aqui (na Câmara)”, afirmou o deputado José Guimarães (PT-CE).

A líder do PCdoB na Câmara, Perpétua Almeida (AC), lembrou que o Brasil é o país com a pior gestão da crise sanitária. “Se olharmos para países da estatura do Brasil, vamos ver que o Brasil tem a pior gestão da pandemia do mundo, com um presidente que negou a pandemia desde o início. O presidente diz que não pode fazer nada, mas consegue comprar milhões em chicletes, em uvas passas, mas não consegue comprar oxigênio para abastecer hospitais”, criticou a deputada.

Voz de milhões

O líder do PDT, Wolney Queiroz (PE), disse que, pela ação conjunta das lideranças progressistas em torno do impeachment de Bolsonaro, “hoje é um dia histórico. Nós sabemos que impeachment não é remédio para governo ruim. Impeachment é remédio jurídico e parlamentar para governo que comete crime de responsabilidade. Esses crimes (do governo Bolsonaro) aconteceram e estão acontecendo a olhos vistos. Nós representamos a voz de milhões de brasileiros que estão se manifestando de norte a sul do país através dos panelaços”, declarou.

O presidente da República é recordista em pedidos de afastamento. Nessa terça-feira (26), lideranças católicas e evangélicas já haviam protocolado um novo pedido, com 380 assinaturas de pastores, bispos, padres, frades e movimentos cristãos. Eles argumentam sobre a necessidade de afastamento de Bolsonaro devido ao seu “desprezo pela vida”.

Assista:

Redação RBA: Fábio M Michel

Com portal Vermelho


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