CONFLITO DE INTERESSES

Empresa que se associou a Moro atestou OAS como proprietária do tríplex de Guarujá

Em 2017, Alvarez & Marsal disse que apartamento era da empreiteira, mas Moro ignorou a prova favorável ao ex-presidente Lula nas acusações da Lava Jato

Arquivo/Agência Brasil
Apesar de Moro dizer que entrou na empresa 'sem haver conflitos de interesses', políticos, jornalistas e advogados destacaram as contradições do ex-juiz

São Paulo – O ex-juiz Sergio Moro tornou-se sócio da Alvarez & Marsal, empresa responsável pela recuperação judicial da Odebrecht e OAS – ambas afetadas economicamente pela Operação Lava Jato. Em 2017, a agora nova empresa de Moro foi responsável por um documento que atesta o tríplex de Guarujá, no litoral paulista, como patrimônio da OAS, e não como propriedade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A petição foi enviada pela própria defesa de Lula, como lembrou o jornalista Reinaldo Azevedo, em sua coluna no UOL. A Alvarez & Marsal, empresa de que Moro agora é sócio, mostrou que o apartamento era de Léo Pinheiro, mas o ex-juiz ignorou. “Ele não acreditou no que certificava a A&M. Moro desconfia do clube que o aceita como membro. Ele condenou Lula à cadeia por ter recebido como propina um apartamento que não era seu segundo atestam os agora sócios do ex-juiz”, lembra o jornalista.

Léo Pinheiro fez dois acordos de delação premiada. Porém, o primeiro, e que não havia acusações contra Lula foi anulado pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que alegou problemas com os vazamentos. Semanas depois, em depoimento a Moro, fora do ambiente de delação, o dono da OAS disse que a reforma do tal tríplex seria “um prêmio da empreiteira dado a Lula”, sem provas.

Apesar de Moro dizer que entrou na empresa “sem haver conflitos de interesses”, políticos, jornalistas e advogados destacaram as contradições do ex-juiz. “Nova maneira de ficar rico: quebrar uma empresa e depois ser contratado para a sua recuperação judicial. Foi o que fez Sérgio Moro. Quebrou a Odebrecht e agora foi contratado pela empresa que está fazendo a recuperação judicial”, lembrou o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

No Twitter, o ex-presidente Lula publicou um post com reprodução do documento que atesta a propriedade do apartamento no Guarujá. Para a defesa do ex-presidente, “Moro promoveu uma farsa para tirar Lula das eleições e cometeu vários absurdos e ilegalidades para isso, entre elas ignorar esse documento”.

Para o advogado criminalista Leonardo Yarochewsky, o processo do caso do tríplex é nulo devido às revelações divulgadas pelo The Intercept, com os diálogos do procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz Sergio Moro, no processo da Operação Lava Jato que levou o ex-presidente à condenação . “No entender de vários processualistas penais, a incompetência do juízo, no sentido processual, é a mãe de todas as nulidades.”


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