Diplomacia

Centrais pedem a Maia que tire Eduardo Bolsonaro de presidência de comissão

Para dirigentes, parlamentar “desqualifica e coloca em descrédito, diante do mundo, a nação brasileira e suas instituições”

Fabio Pozzebom/Agência Brasil
Eduardo Bolsonaro, filho do presidente e deputado que já quis ser embaixador, causou novo estremecimento com o principal parceiro comercial do Brasil

São Paulo – As centrais sindicais querem que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), remova Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) do comando da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Em nota, os dirigentes manifestam repúdio “aos pronunciamentos absurdos e levianos” do filho do presidente da República em relação à China.

No início do semana, o deputado afirmou em rede social que o governo apoiava uma “aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”. Com a repercussão negativa, ele apagou a postagem no dia seguinte. Mas, ao mesmo tempo, a embaixada chinesa no Brasil reagiu à declaração. Segundo a representação diplomática, as afirmações “solapam” a relação entre os dois países. A China, por sinal, é a principal parceira comercial do Brasil.

“Os ataques irresponsáveis que o Deputado desferiu em sua conta no Twitter contrastam com a alta qualidade das relações diplomáticas que o Brasil construiu ao longo de décadas”, afirmam as centrais. As entidades acrescentam que o atual governo “vem sistematicamente destruindo” essas relações. A nota é assinada pelos presidentes Sérgio Nobre (CUT), Miguel Torres (Força Sindical), Ricardo Patah (UGT), Adilson Araújo (CTB), Antonio Neto (CSB) e José Calixto (Nova Central). Deputados também defenderam o afastamento do colega, que tempos atrás manifestou desejo de ser embaixador nos Estados Unidos.  

Impactos incalculáveis de Eduardo Bolsonaro

“Os impactos para as nossas relações soberanas de respeito e de cooperação internacional. Assim como para as empresas e para os empregos, são incalculáveis em termos quantitativos e qualitativos”, afirmam ainda os sindicalistas. “Consideramos inaceitável que o Congresso Nacional recepcione em função dessa relevância um parlamentar que desqualifica e coloca em descrédito, diante do mundo, a nação brasileira e suas instituições”, acrescentam.

Ao final, as entidades solicitam o “imediato afastamento” de Eduardo Bolsonaro da presidência da comissão. “E o restabelecimento da dignidade em nossa diplomacia”, concluem. O 1º vice do colegiado, a propósito, é Luiz Philippe de Orleans e Bragança, também do PSL paulista.