Democracia

Torcidas e movimentos vão à Paulista contra o racismo e o fascismo de Bolsonaro

Buscando manter distanciamento, protesto reuniu cerca de duas mil pessoas em defesa da democracia. Ato bolsonarista teve aproximadamente 100 participantes

Paulo Pinto - Fotos Públicas
Ato antirracista e antifacista da sociedade civil contra o governo do presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista neste domingo

Brasil de Fato – Contra o fascismo, o racismo, e pela queda do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo (SP), na tarde deste domingo (14), na terceira manifestação de rua organizada por torcidas organizadas e pela Frente Povo sem Medo.

A manifestação, que começou às 14h, em frente ao Masp,  reuniu em torno de duas mil pessoas e foi pacífica do início ao fim, sem registro de conflitos com a Polícia Militar, e marcado pela união entre torcidas rivais.

Além dos torcedores anti-fascistas, o #ForaBolsonaro em São Paulo foi marcado pela diversidade de organizações, movimentos e atores da sociedade civil unificando suas lutas na defesa da democracia, como o Mulheres Contra Bolsonaro. O movimento divulgou, no sábado, o manifesto “Levante das Mulheres Brasileiras” e foram à Paulista para “derrubar o governo que, embora eleito, provou que age de forma inconstitucional e que representa de fato uma ameaça para todas as minorias políticas articuladas pelo movimento feminista.”

Manifestantes já ocupavam uma das faixas da Paulista quando, por volta das 15h e aos gritos de “o Porco chegou, democracia!”, chegaram algumas centenas de torcedores palmeirenses, que foram aplaudidos e se juntaram ao protesto.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e Guilherme Boulos, da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) também participaram do ato. A deputada federal pelo Paraná vestia uma camiseta da Gaviões da Fiel e uma máscara vermelha escrito “Fora, Bolsonaro”. Ela esteve no dia anterior em uma carreata contra o governo em Brasília.

Vidas negras importam

“Estamos diante de uma calamidade, um dos piores países para se viver. E o povo foi para a rua por direitos, por hospitais de campanha nas periferias, por testes massivos, e para que pare a morte de pessoas negras no Brasil e no mundo”, afirma Simone Nascimento, integrante da coordenação estadual do Movimento Negro Unificado (MNU).

Para a ativista, o governo federal instrumentalizou a pandemia do coronavírus para aprofundar o projeto de “genocídio secular” da população negra, dos indígenas,  e dos mais pobres. Isto se evidencia, segundo ela, na ausência de políticas de proteção social e combate à fome, e também na precarização do Sistema Único de Saúde (SUS) – que persiste sob efeitos perversos da Emenda Constitucional 95, o “teto dos gastos” estabelecido por Michel Temer. 

Na opinião de Simone, não haverá democracia sem que “as vidas negras importem nesse país”, mas isso passa essencialmente pela derrubada de Jair Bolsonaro, que não tem se solidarizado com as mais de 41 mil mortes acumuladas no país. 

Pam Santos - BdF
Manifestantes saíram à Avenida Paulista para defender a democracia e reafirmar a importância das vidas negras. Foto: Pam Santos – BdF

“A gente tem a pressão pela morte do povo através do atraso do auxílio emergencial, da ausência de testes em massa, e através da polícia. Nós não tivemos o fim das operações policiais nas periferias, então o movimento negro aqui tem tanto motivo de ir pra rua quanto o movimento negro dos Estados Unidos. Lá a gente viu o caso do George Floyd, mas aqui em São Paulo, o Juan e o David, na Zona Leste, foram mortos dentro de casa, ou o próprio João Pedro (no Rio), que foi morto com um tiro nas costas”, afirma a liderança, que viu com bons olhos a união de movimentos sociais em torno da pauta antirrascista nesta tarde. 

Ela também se mostrou preocupada com a flexibilização do isolamento social em São Paulo, anunciado pelo Governador João Dória,  dentro do plano para reabertura de setores da economia – quando o Estado tinha 91% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) ocupados. 

“O nosso estado é um estado que das 40 mil mortes do brasil, tem 10 mil mortes, e mesmo assim o governador está flexibilizando, fazendo com que o nosso povo que ja estava em maioria nos trabalhos essenciais e não tem direito ao isolamento social trabalhe ainda mais”, afirma Nascimento.

Como nos atos anteriores, máscaras e álcool gel foram distribuídas aos manifestantes. A organização também orientou as pessoas a preservarem um distanciamento seguro para evitar aglomerações.

“Outro lado”

Também na tarde deste domingo, menos de 100 pessoas pediram por intervenção militar em ato pró-governo, realizado no Viaduto do Chá,  na região central da capital paulista. Os manifestantes atacaram o Congresso, as autoridade de saúde e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Edição RBA: Fábio M Michel