Eleições 2020

Teixeira, Suplicy e Bonduki retiram pré-candidaturas para apoiar Padilha a prefeito de São Paulo

Médico infectologista, ex-ministro da Saúde teria o melhor perfil para o momento de grave crise sanitária no país e na cidade de São Paulo, dizem lideranças

Michel Jesus/ Câmara dos Deputados
Segundo Padilha, próximo prefeito precisa salvar vidas e manter a renda das pessoas

São Paulo – Em live transmitida nesta quarta-feira (13), o deputado federal Paulo Teixeira, o ex-secretário de Cultura da gestão de Fernando Haddad, Nabil Bonduki, e o ex-senador e atual vereador Eduardo Suplicy anunciaram a retirada de suas pré-candidaturas à prefeitura de São Paulo pelo PT para apoiar o médico e também deputado federal Alexandre Padilha.

Os outros inscritos para disputar o posto de candidatos do PT são o deputado federal Carlos Zarattini, o secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto, e a líder comunitária Kika Silva. Com apoio de Suplicy, Teixeira e Bonduki, lideranças de peso dentro da legenda, Padilha se fortalece na disputa com Tatto, que tem apoio importante na base partidária.

As eleições municipais, até o momento, estão mantidas para outubro. Mas há a possibilidade de adiamento, por conta da pandemia de coronavírus. O debate sobre o tema está sendo travado nos meios políticos e no Tribunal Superior Eleitoral.

Na sexta e no sábado (15 e 16), o PT vai escolher o candidato em prévia virtual, com a participação de 613 militantes e dirigentes. O voto será secreto.

O principal argumento dos três pré-candidatos para manifestar apoio a Alexandre Padilha foi resumido por Teixeira. “O coronavírus indica que veio por um tempo longo. O tempo mais grave deve ser de dois meses, mas os mais otimistas falam de uma vacina em maio do ano que vem. O SUS passou a ter uma importância imensa. Assim, se chegou à conclusão que Padilha teria o melhor perfil para este momento”, disse.

Padilha é médico infectologista e, além de ter sido ministro das Relações Institucionais no governo Lula, foi ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff.

Unificação

Teixeira destacou também a identidade com forças progressistas “além do PT”, para a construção de diálogo, por exemplo, com o PCdoB e o Psol, com vistas a “tentar construir uma chapa única de oposição anti-Bolsonaro e anti-Doria e Covas”. Na mesma linha, Padilha disse na noite de ontem (12), no Twitter: “Temos que derrotar dois projetos: o genocida de Bolsonaro e o privatista e elitista de Bruno/Doria”.

Segundo Teixeira, o nome de Haddad foi cogitado pelo partido para a disputa da prefeitura paulistana. “Seria um bom nome, mas a conclusão é que o ex-prefeito, eventualmente, “teria que ser preservado para a disputa nacional”, justificou.

Suplicy reitera que a situação de “pandemia gravíssima, a mais grave da história de São Paulo” justifica a opção do PT por Padilha, que também foi secretário municipal da Saúde de São Paulo na gestão Haddad.

Na opinião de Bonduki, urbanista, Padilha se mostra capaz de implementar uma gestão que objetive mudar o padrão de desenvolvimento da cidade, priorizando o combate à desigualdade, a descentralização da administração e políticas para promover justiça na área habitacional.

“Durante a pandemia, a gente vê a importância da habitação, do saneamento e das condições urbanas.” Para Bonduki, o apoio à aspiração do ex-ministro da Saúde representa “a unidade que conseguimos dentre várias tendências dentro do PT”. Ele defendeu também a ampliação da pré-candidatura de Padilha para envolver outras forças progressistas por “um projeto comum”. O nome de Alexandre Padilha, se confirmado, seria o “embrião de uma candidatura que possa congregar outras forças de esquerda”, afirmou.

A “missão” de uma eventual vitória eleitoral do partido para governar a maior capital do país, segundo Padilha, será a de “salvar vidas, manter a renda das pessoas, reforçar a solidariedade e repensar a cidade de São Paulo nos próximos anos”.

Paulo Teixeira lembra que o poder público na cidade de São Paulo tem que chegar à periferia da capital. “Muitos lugares na cidade não têm Estado, não têm poder público”, disse.